"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil

sábado, 10 de outubro de 2009

Tormenta.

Infância infame
Cortes drásticos e irreparáveis.
Cortes de medidas variadas
e profundezas também, se assim quiser
Cortes de pele, cabelo ou lembranças.


Silêncio dilatado
moral inalcansada,
sexo sem amor
amor sem sexo

Sentir, se iludir,
ductilidade constante
Relação aspirante.
O que nos resta ?
O nós vemos ?
Buscamos ?
Ver invertido, usar colorido
testar por impasse
Onde está o azul ?
No fundo opaco nada há,
nada se pode ver
nem o verde, ou o amarelo limão
e nem tua imolação

Só retorce,
cara à tapa
dá-me porradas
Espanca minhas palavras confusas,
meus pensamentos contraditórios.

Escrever para que a voz vocífera se cale dentro de mim,
fique muda
e não jorre,
Como lavas d'um vulcão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Deflagração

O Amor é uma dor
ele vem chegando de mansinho, te assusta
Com o tempo ele aquece
e dá esperanças
por algo bom, por algo produtivo
e pelo o que de fato valha a pena se pôr à risca (...)

Então você se alegra,
o abraça de corpo e alma,
a ele se entrega, indubitavelmente
e até o perpetua em seu âmago

O Amor é uma dor,
de repente ele te despedaça.
Você desmorona
e nada mais te estimula

sequer ao ato de sexo,
o Amor te retalha sem piedade ou pudor.










-Desculpe pelo uso de "você".

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Impulso

Te morderia o pescoço, tacaria na parede
te empurraria no chão

Arranharia-te a pele sem perdão

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Presente do Pretérito II

Tanta coisa para lhe falar
quebrar o silêncio
Desse amor,
severamente contundido pelo tempo,
pela traição

Tempo, tempo, tempo...
Tanto tempo.
Retóricamente,
está minha alma sofrendo

Jamais esquecerei,
jamais.
Tu me dissestes certa vez (...)
Tu, por mim certa vez sentistes (...).
Amor esfuziante.

Te dou uma flor
Meu amor em pétalas.
Pétalas disformes e coloridas
algumas acinzentadas,
amolecidas, murchas
pelo tempo de abandono,
pela dor tortuante.

Lábios ressecados,
nervosismo.
O coração que se acelera.
Sentimento abrasador,
e irreprimível.

A vejo em meus sonhos
Sua meiguice, seus olhos,
seu sorriso, jeito,
Seus lábios juntos aos meus.
Você por inteiro.
Tu és quem verdadeiramente amo.
Amo-te mais que a mim mesma,
calorosamente,
"Como água viva queimando a pele"

"... Escrevo tosco e sem ordem
É que agora sinto necessidade de palavras..."

Todavia, mais que qualquer outra coisa
sinto necessidade do teu amor
(que) por mim (sentes).

Ó peripécias estas que nos bombardeiam
Ó vida cruel,
Amor sem véu.

domingo, 27 de setembro de 2009

Desbloqueados


Só de pensar em quanto tempo eu passei bloqueando esses pensamentos, e no quão difícil foi, já me sinto exausta. Exaurida até a alma.
Antes, há um bocado de tempo, consegui fazer com que uma cortina nebulosa não me concedesse ter a impecável visão de tudo o que eu queria... Os sentimentos antes encubados, dores difusas, discusão, decepção, perda, dor, dor e mais dor. Bloqueei tanto a imagem dela, a voz, tudo relacionado. Às vezes não conseguia... Por incontáveis vezes a ouvi dizer-me que me amava, sempre ao telefone, aquela última ligação (aquela que tanto me deu esperanças), então sentia profunda dor... Por conseguinte lembrava daquela quarta-feira, como agora, era sempre tomada de demasiada angústia. E o choro vem à tona, forte, às torrentes.
Bloqueei o máximo que pude, até certa quarta-feira. Senti coisas inexplicáveis... Seriam inexplicáveis se eu não soubesse o motivo de senti-las, mas eu sabia (e sei), agora que nada está bloqueado é muito mais doloroso, aqui dentro está conturbado, dentro de mim, não sei se dela também, me parece que não...
E agora que ela tudo sabe, claramente, sinto-me indefesa, desprotegida. Não sei o que fazer, como agir, se devo, ou se não devo...
Minha cabeça dói, meu coração dói, o ar está espesso.
Dor.

Presente do Pretérito I

Não é possível crer
é fantástico, é supremo.
E enlouquecedor.
Todos os dias a vejo passar
Todos os dias sinto o tremor nos joelhos, os lábios secos
sinto os olhos arderem, os órgãos revirarem

Todos os dias sinto receio
tristeza profunda e amarga
Tudo culpa minha.

Nada posso falar,
não consigo.
Medo.

Em abril,
tudo tinha cor
e vida,
Era confuso,
mas alegre.

Três semanas,
inesquecíveis.

Depois ficou tudo negro.
Entrei com tudo
num breu sem fundo

Nada tem cor,
é tudo preto,
sem vida.

Falta de ar, tontura
sinto falta,
sua falta.
Quero de volta sua formosura.
Um buraco imenso, cheio de absolutamente nada.
Vazio,
tudo o que me restou (...)

Sem ti não tem graça,
não tem cor, nem perfume
não existe meu eu.
Sem ti, perco o chão,
o sorriso e a razão.

Te amo tanto que dói,
te amo tanto que suporto, sim,
vê-la com outra pessoa (...)

Mata-me aos poucos, lentamente...
Arsênico, dê-me um gole.

Diga-me como,
eu faço.
Para você meus melhores abraços.

sábado, 26 de setembro de 2009

Morena

A pessoa conhecida, que na verdade é estranha
se prosta no caminho
Ela não me permite passar.
Diz-me como se fosse (eu) forasteira

Apeteço há muito,
olhar fundo nos olhos sonhadores e furtivos da Loura.
Lastimável que ela esteja tão perdida (...)
Tanto quanto, ou tanto como (?)

Olhos. Seus olhos,
Eloquentes, estapafúrdios,
Excitam-me

Tão platônico...

Sagazmente, falo-te:
A Morena, porém,
de mim arrancou o coração
e não só isso,
também levou de mim a emoção

Se novamente a tenho em meus braços
atrelar-me-ei a ela,
a Morena,
Minha doce Moreninha.




-Só pra constar, eu não gostei muito desse poema... Ficou faltando algo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lírios... e algo mais.


Maçã, fruta denominada (...) como sendo "o fruto proibido",
discriminada, relacionada ao pecado.
Maçã vermelha.
A paixão, o amor,
ambos associados à cor vermelha.

Vermelho que me instiga, que me inspira
vermelho que me faz sentir coisas indefiníveis.
Indecifráveis.

Meu tesão é vermelho, creio que meu alter-ego também o seja.

Só enxergo lírios,
ao fundo, à frente
Tudo são lírios.

Na verdade, são lírios e ela.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Preto no Branco III

Mas de repente, para surpresa própria, lá estava ela, chorando aos prantos. Afagou novamente seu pequenino elefante de porcelana. Continuou a chorar, sem tentar, nem mesmo, conter os soluços agudos.
Vagou pelo corredor. Não havia mais cor em seus olhos, apenas dor. Pobre garota. Sem ninguém, sozinha nesse turbilhão que é a vida.

Parou na sala de estar, demorou seu olhar numa das poltronas. Sentiu um ar gélido soprar-lhe os ouvidos, e uma sensação quente subir-lhe pelas costas, como se alguém a estivesse espionando, mas... De onde ? Quem ? Virou-se num pulo, com olhar atormentado, e procurou, desesperadamente, pelo par de olhos gatunos que estavam bisbilhitando-a.
Nada.
A sensação de invasão só aumentando. De repente ouviu-se um grunhido, pareceu vir detrás da janela central, a maior, sempre oculta por cortinas vermelhas, grandes e espessas. A sala de estar não era quente. Liesel aproximou-se da janela, e afastou alguns milímetros da cortina vermelha para o lado. Observou atentamente, nada notou. Ninguém. Sequer um moribundo a espreitava... Decerto havia algo escapando por dentre os eixos...

Uma picada no pescoço. Sonolência. Escuridão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Feito Por Beatriz M.

A dúvida é amarela.


"Foram-se as letras e histórias construídas.
São tantas ideias, todas abstratas, paralelas,
crescentes, impuras, todas utópicas,
dando-me algo novo
dentro do que permitem as circunstâncias.

A dúvida é amarela, acho que minha alma também."

Preto no Branco II

Liesel sentia-se condenada a olhar aqueles rostos sem vida, encovados. Aquilo não era nada do que ela imaginara que teria por seu caminho de vida. Assombrada pelos membros dos corpos de seus pais que estavam espalhados pelo chão do quarto, Liesel afastou-se do ponto onde estava, andando devagar, até que sentiu estar recostada numa das paredes. Desmoronou. Deixou-se escorregar, sua coragem estava esvaindo-se. Chorou, soluçou. Parou, enxugou as lágrimas pendentes em suas bochechas pálidas. Pôs-se de joelhos no chão que parecia a cada minuto ainda mais duro e poeirento, e foi engatinhando até o lavabo anexado ao quarto. Era um lindo, sofisticado e espaçoso lavabo. Liesel amava a banheira que estava a sua direita, logo após entrar pela portinhola do lavabo, era de fato uma lindíssima banheira em estilo vitoriano. Mas, mais que a banheira, Liesel amava como se tivesse vida, sua penteadeira, ela era de um roxo contundente, e seus acabamentos eram liláses. Por sobre sua penteadeira de "estimação", havia um elefantinho azul feito de porcelana, com a metade de sua minúscula tromba quebrada, aquele fora o único presente de que ainda a ajudava lembrar da mãe biológica, a frágil e adorável Eleannor Strezer. Por fim, sem saber qual atitude tomar, Liesel pegou, com sua mãozinha trêmula, o pequenino elefantinho azul e o afagou. Adormeceu.

Ao primeiro raio de sol, Liesel já estava alerta, de pé. Ainda não tinha coragem suficiente para voltar ao quarto e deixar que seus olhos pousassem nas partes tombadas dos corpos de seus pais adotivos. Inspirou fundo, fechou os olhos e caminhou para fora do lavabo, e depois, para fora do quarto. Percebeu que já poderia abrir os olhos sem qualquer risco aparente, quando pisou num carpete macio, era bem melhor que o piso frio de seu quarto. Ao abrir lentamente seus olhos amadores e analizadores, Liesel apenas pôde sentir alívio. Alívio por finalmente ter saído de dentro daquele antro de discordia e traição. Ela já pensava no porque de seus pais terem sido feitos em picadinho, e em quem teria concluído tal atrocidade. Apesar de seus conservadores 11 anos de idade, ela não era boba, e já montava em sua mente uma breve simulação do que e do porque tudo aquilo havia acontecido.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sem Serventia;


*Redação pedida na aula de filosofia, sobre o anel (de) Giges. O que eu faria se o tivesse, o anel que nos deixa invisíveis ?


O anel. Meu anel, meu precioso anel Giges.

Com este anel eu posso ficar invisível. Posso fazer o que eu quiser, pois nnguém poderá me ver.

Com este anel eu entraria pela porta errada, no lugar e hora certos, e eu veria, aos meus olhos, a pessoa mais perfeita. Eu a veria em todo o seu esplendor. Contudo, uma lástima seria, eu poderia vê-la, mas ela não me veria, não veria que eu a estava apreciando, sim, aquela pessoa perfeita para mim, tão brutalmente bela.

Que propósito teria eu vê-la se ela não me veria ? Nenhum. Seria inútil. Giges a ela eu daria, para que pudesse espiar-me a todo tempo.

Espero que ela não fuja com meu Giges, com meu coração, nossos futuros entrelaçados. Quero poder ver teus estupendos olhos claros e sonhadores, quando o Anjo Caído e de "imoralidade corporal" lhe patir o coração (...), eu certamente estarei perto o bastante para que não passe a ser ainda mais misantropa, e aí, Giges já não terá utilidade alguma.

Meu precioso anel Giges, eu o passo adiante.

Preto no Branco I

Liesel já estivera há muito, tão só, entrentanto, não como agora. Seus pais adotivos... Onde estão ? Liesel pergunta, clama, mas ninguém responde, ninguém vem ao seu encontro.
Está tão escuro lá fora, tão escuro quanto seu cabelo negro como a noite.

- Onde estão ? - Ela novamente ralha, sem compreender o que se passa ao seu redor , sem se dar ao desprazer de sentir os odores que a cercam. Enxofre. Gasolina. Pólvora. - O que está havendo ? - Mas como antes, ninguém responde.
Liesel então, agarra-se fortemente a um pequeno vislumbre de coragem, e abre, numa pequenina fenda, seus olhos. Lindos olhos claros, amadores e hipnotizantes.

Bem ao fundo do quarto enegrecido, pode-se distinguir formas de rostos. Liesel tatea até uma metade do caminho... Está tudo tão quieto, tão escuro... Ela pensa, e analisa as sombras mórbidas que estão mais à frente. Aproxima-se mais, e muda, prende a respiração. De repente um sobressalto, sobe-lhe um frio inóspito pela espinha.
Um clarão. Liesel pôde ver o que estava a poucos metros de distância. Cadáveres. Seus pais tinham seus corpos desmembrados ao chão frio e empoeirado.

Perda de foco, escuridão. Torpor.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Beatriz

Pela silhueta do teu corpo, meu arquejo
Pela tua nobreza, meu desprezo
Por teu meigo sorriso, meus gracejos
A ti, meu amor

Se em teus olhos me perco, de lá almejo não mais sair
Ficarei por toda a eternidade, apenas na imensidão dos teus sonhadores olhos,
Perdida por vontade própria.
Sem água, sem pão
Alimentando-me de luz, de sonhos. Cores.

Imagino, cá com minha ignorância, se daria certo, duas pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo, tão profundamente iguais.
Obsessão, fruto de minha platônica paixão ? Maysa Matarazzo me entenderia...

Inúteis. Todos inúteis, textos estes que escrevo.

Fadada à carnificina, às fraquezas da carne
Cedendo para a solidão,
Esquecida na escuridão,
E ela não tem fim.

A oportunidade, pendendo por um fino fio
Projetando para além de onde se origina, muito além.
Queria eu, ver meu passado inteiro
E nos futuros beijos teus, me mobilizar. Sensação sem igual.

Por ti desmorono
Por ti aqui estou:
Caída e indefesa.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Matei ele e Fim.

A vida é dura, é inconstante, às vezes nós perdemos o controle sobre certas situações, sobre nós mesmos. Não é impossível (...), nada, absolutamente, é impossível, mas sim, é difícil.
Eu enganei não só a ela, mas também a mim. O que houve entre nós, teve um triste fim. Estava tudo indo bem, até o dia em que aquilo aconteceu novamente comigo, após tanto tempo. Eu acreditava ter superado. Por que agora ? Por que ?? Enfim. Aconteceu, e foi como um furacão, foi devastador, por dentro eu fui novamente abalada, tudo ruiu. Em segundos eu estava com os nervos à flor da pele, a boca seca, o coração quase rasgava meu peito, gaguejava. Quando nos levantamos foi ainda mais possível perceber o que ocorria comigo, ao fincar meus pés no chão, eu pude sentir, meu corpo todo tremia, meus joelhos me davam a impressão de que eu não conseguiria ficar de pé, meus olhos ardiam, minha cabeça latejava levemente. TUDO estava em desordem. Bastou eu não só vê-la, mas falar com ela. ELA. Nesse dia eu pude perceber que não havia superado coisíssima nenhuma, mesmo ela querendo apenas amizade, tudo bem, eu respeito isso.
E continuei com o meu namoro por mais duas semanas, quase. Ser humano mais indígno.
Pensei, pensei. Contei a ela tudo, tudo o que eu sinto pela outra, fui sincera até os ossos, certamente, foi horrível para ela, mas o que eu poderia fazer ? Reprimir meus sentimentos, continuar me iludindo, iludindo a ela ? Viver numa mentira ? Até quando ? Eu não suportaria.
Estou com nojo da minha pessoa. Repulsa. Um escárnio para minha alma. Para que cultivar algo falso ?
Confusão. Então ela diz-me o que está sentindo e isso muito me afeta, com uma decisão já tomada, com tudo dito, a única coisa que ela me faz sentir é pena. Pena. Qualquer coisa que eu dissesse a ela, a partir dali, daquele desabafo, seria por pena e nada mais, eu me sentiria muito pior. Levem-me à forca, eu mereço.
Manti-me firme.
E agora está feito, ou melhor (?), desfeito. Acabou. Eu digo que valeu e me defendo. Não sou um monstro, tenho sentimentos, evitei algo pior.

Me levem à forca, me levem.



(Ouvindo: Thinking Of You - Katy Perry)

sábado, 12 de setembro de 2009

DONA DE MIM.


  Tesão, "Teson", que seja, desde que seja grande, incontrolável, insaciável.
  MEU TESÃO, assim grandão. O meu TESÃO é grande assim, insaciável, meu umbigo, minha vida, gira em torno do MEU TESÃO, é tão forte, tão incontrolável, finalmente eu pensei em algo que fizesse sentido.
  Eu me descontrolo completamente por ele, com ele, e até que não é ruim.
  Algumas pessoas dizem que eu "rendo" pra todo mundo, que eu "atiro para todos os lados", mas ao meu ver não é bem assim. Eu não rendo, eu FLERTO. Amo, amo, amo, amo. Flertar é magnífico. E eu sou boa no que faço. Voltando... Tesão. "Teson". TESÃO. Até o nome dá água na boca. Até o nome, puramente o nome, ao soar em meus ouvidos, realmente me dá TESÃO. É inevitável, tão tocável. Excitante.
  MEU TESÃO está sempre ativo, 24 horas por dia, sete dias por semana, 31 dias no mês, 365 dias ao ano. MEU TESÃO é bom assim, insaciável assim, ele nunca pára. Jamais se satisfaz.
  Só de falar nele eu já fico alerta, MEU TESÃO. MEU.
  MEU TESÃO está sempre presente. Ele é parte de mim, chega a ser denso, praticamente uma massa pairando no ar. MEU TESÃO é onipresente. Ele está entranhado em mim.
  MEU TESÃO, MEU ALTER-EGO. Ele é dono de mim, dono das minhas vontades, senhor dos meus impulsos, talvez dos mais destrutivos... Eu tenho de aprender a controlá-lo? Naaaão. Ele é dono das minhas ações, ponho-me em suas mãos. Melhor ainda, seria se MEU TESÃO fosse mulher, MINHA TESÃO. Ela seria dona de mim, dona dos meus pensamentos repentinos. MINHA TESÃO abrange tudo, expande meus horizontes.
  Vivo em prol.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Putrefato ?



Será que alguém, qualquer um, já parou para pensar no que eu sinto? Mesmo que tenha sido após um considerável intervalo de tempo, ou sem querer. Não que eu mereça isso, é apenas uma dúvida minha. De verdade, eu acho que não. Superficialmente.
Não quero pena ou compaixão, apenas ódio, raiva e revolução. É tudo tão injusto, tão desconcertante, errante. Ao mesmo tempo que me amo, me odeio por ser quem sou, em grande parte por causa do que me denigrem, dia após dia.
Posso ser forte, mas não sou de aço, meus alicerces rangem ensurdecedoramente. Estou nutrindo um excit
ante desejo de morte, minha morte. É meio covarde, admito, mas resolveria tudo bem rápido. Um puta cretinismo, espero que um dia os papéis realmente se invertam, que seja mega ultrajante para os “mal-feitores”, não me importo.
Quando eu for embora, quando eu atravessar a fronteira, seja ela de um país a outro, ou de um “mundo” a outro, não olharei para trás, nunca, jamais. Não sentirei falta disto, desta dor profunda, deste ódio enraizado em meu peito. Apenas continuarei me afastando, tenho de atravessar a fronteira. Eu tenho, eu quero. Preciso.
Por mais que as coisas melhorem gradativamente, por mais que eu mude, eles não fazem o mesmo, não têm consideração, depois vêm me falar de gratidão? Vá se foder. Eles nunca mudam, contam sempre as mesmas estórias, me distorcem os pensamentos, já não me controlo mais, é terrível a força que faço para alcançar o mínimo de controle, e o mínimo de controle nunca é o suficiente.
Essa vida que eu levo mais me consome do que me dá. Me leva tudo, me tira, me destrói. Definho sordidamente a cada pensamento que vem à cabeça (não que isso não corresponda à minha concepção de vida), contudo, dói mais do que na teoria e ocorre lentamente, literalmente se arrastando. Por dentro estou pútrida. Sem vida. Morta.
Miserável, maldito, é aquele que me roga impensavelmente, me atordoa a alma. Mal me compreendo. Meus pensamentos, até mesmo os mais infames, todos, tão distantes, intocáveis. Me sinto infeliz. Dói tanto... O ar, que já quase não respiro, é espesso, arranha-me a garganta, mata-me aos poucos, a cabeça lateja, nada encaixa, de repente um calor devasso sobe pela espinha. Tudo é demais, um simples sussurro é brutal, dor, muita dor, e raiva. Quero ir embora, esse desejo irreprimível... É tão difícil permanecer aqui. Quero fugir... E porque não? Seria libertador... Como ver um copo de água gelada em pleno sol escaldante. Irresistível.


Me deitar por sobre a mais bela grama verde-vivo e apreciar o sol nascer, não ter mais pensamentos soltos e perdidos, respirar e sentir alívio, não desperdiçar o tempo como se ele fosse infindável, enfim. Viver a vida.

domingo, 30 de agosto de 2009

Concepções.



Eu quero deixar esses dias cinzas para trás, quero viver o novo, suspirar a liberdade, sorrir à vontade. Se tudo fosse fácil a vida não teria graça, correr riscos é de graça, faz bem. Não quero me preocupar com o tempo que falta pra essa palhaçada se dissipar, só penso no futuro, seguir em frente, faltam dois anos apenas. Ta ta ta, garçon, me traz uma banana split e põe na conta da Edith. Quero poder inspirar ar puro e não sentir dor, arrependimento, quero poder olhar pra frente e sentir que fiz o certo, ao menos para mim, não o bem e nem o mal, mas a escolha certa. Quero ver o sol nascer, a lua aparecer, as flores crescerem, os pássaros a voar, a minha vida se encaminhar. Nem tudo é como a gente quer ? Negativo, tudo é como se quer, pense só, as coisas apenas não acontecem na ordem em que pensamos que aconteceria. Se eu pudesse, pensaria em como foi o meu primeiro banho de chuva, a minha primeira sorte grande e em como estava o céu, no dia em que eu não me reconheci. Se eu pudesse retroceder num dia qualquer, talvez eu escolhesse um dia aleatório, ou talvez eu escolhesse o dia em que eu realmente me senti impotente, vulnerável, apavorada (até os ossos), creio eu, que muita gente não faria isso (claro), mas hoje em dia, à flor da minha juventude e talvez da ignorância quanto a algumas coisas, eu simplesmente não sinto medo, não tenho noção do que exatamente é isso, talvez me fizesse bem sentir outra vez o que é o medo, entrar em pânico por estar com medo de algo verdadeiramente assustador, nem que isso se aplicasse ao medo de perder alguém, mas que realmente surtisse o efeito esperado, não que eu queira viver com medo, apenas para que não voltem a me dizer que sou insana, não que eu ligue, mas que, vindo dessa pessoa, realmente me irrita, ela se acha tão certa, tão impune. Me deixe ser insana, eu gosto. Essa é a minha paz. Se o sol se fizesse negro e frio, eu não me faria dormir, não mais, é à noite que as coisas acontecem, é no escuro. Ansio pelo crespúsculo, quero vê-lo a ponto de sufocar com sua beleza, me castigue, se isso fizer-te enjoar. Vou correr desvairada, pela rua vazia da manhã mais fria de janeiro, pra ver se me julgam louca, ou se me acompanham. Vou gritar sem cautela, em frente à portaria do prédio dela, fazer escândalo para que desça e me aqueça, quero sentir seu corpo ao meu, com isso meu pior dia se tornaria o mais belo. (*SEM NOME NO MOMENTO*) é o nome dela, que me desperta euforia, que por cada dia me faz ter vontade de estar aqui por um pouco mais de tempo, que se faz inesquecível a cada momento, estando ou não presente. Me dê seu coração, ou eu não me faço completa, me diz que gosta de mim, me joga no chão e me pisoteia. Pra te ver com urgência me faço enferma, minha mãe que o diga, é de família. Queria eu ter o direito de quebrar tudo, ao mínimo sinal de raiva, quem dera. Ah se a vida fosse assim tão bela, aliás, ela o é, devemos apenas enchergar de todos os ângulos possíveis, dar atenção à magnitude das coisas simples, aos gestos pequenos, porém amenos. Vou enrolar as pipas nos pios, mandar meus beijos pelo ar, me embaraçar nos braços dela e não mais soltar, não mais poder, como não mais sentir. Não mais sentir sua falta.



Como um temporal, imponente, forte e rápida, assim é a minha passagem pela vida dos vivos, vivendo num mundo de ódio e discórdia, sem o ardor do amor. Mata-me com essa desavença sem pé, nem cabeça, sem início, sem meio e nem fim.