eu não te vi durante o amortecer das últimas noites,
nem nos tangíveis amanheceres mais celetes,
mas creio, e sei por conta disso,
que continuas tão reverberante e macia quanto
d'antes fora
tua fibra minha corda no pescoço
teu repuxar de lábio minha paralisia
a sonoridade da tua risada meu enternecimento
e o mero vislumbre do teu sorriso de boba da corte meu eterno julgamento
te amo como se nunca tivesse respirado num alvorecer
te amo como se jamais tivesse amado mais ninguém
te amo tanto que dói de forma que não sei classificar a ausência de nós
e é água salgada que inunda meu peito e me perde no estreito
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)
I am not but I am
sábado, 18 de fevereiro de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Wish me luck
Tudo de que gosto, quando é tocado por este abençoado par de patas que vieram comigo, rapidamente se transforma numa admirável obra-prima cujo principal material atende mundialmente pela alcunha de: merda merde shit bosta.
Para encurtar a tagarelice: imagine-se "vivendo" todos os dias da sua vida, cada esperança, amor, cada momento de terna plenitude, e o maldito conta-gotas de milésimos de segundos marcando, com secura, sempre, a todo e cada micro-instante, o seu fim ad aeternum iminente. Alguma coisa boa acontece, alguém de áurea resplandecente brota — mesmo que do bueiro mais improvável, segundo pré-conceitos alheios que não cabem na crença de quem enxerga as mil e uma belezas do que se é mundano —, logo, paro e penso — na verdade, primeiro sinto e depois o resto: "vai dar bosta".
Comprovado que ainda sou prolixa, agora de forma sucinta, a supracitada epopeia: desde 1992 que o reality show de maior audiência é precisamente um enorme manual de "como arruinar viagens, paisagens e miragens". Vencedoras da saga em questão: I me & myself. Sem pódio de chegada nem beijos de mozão.
Não são palavras de autocomiseração, o que está se passando aqui é nada mais nada menos do que uma masturbação verborrágica escrita da realidade. O maior dom com o qual venho presenteando o universo: uma paródia light, cliché e não misógina de Hank Moody.
Para encurtar a tagarelice: imagine-se "vivendo" todos os dias da sua vida, cada esperança, amor, cada momento de terna plenitude, e o maldito conta-gotas de milésimos de segundos marcando, com secura, sempre, a todo e cada micro-instante, o seu fim ad aeternum iminente. Alguma coisa boa acontece, alguém de áurea resplandecente brota — mesmo que do bueiro mais improvável, segundo pré-conceitos alheios que não cabem na crença de quem enxerga as mil e uma belezas do que se é mundano —, logo, paro e penso — na verdade, primeiro sinto e depois o resto: "vai dar bosta".
Comprovado que ainda sou prolixa, agora de forma sucinta, a supracitada epopeia: desde 1992 que o reality show de maior audiência é precisamente um enorme manual de "como arruinar viagens, paisagens e miragens". Vencedoras da saga em questão: I me & myself. Sem pódio de chegada nem beijos de mozão.
Não são palavras de autocomiseração, o que está se passando aqui é nada mais nada menos do que uma masturbação verborrágica escrita da realidade. O maior dom com o qual venho presenteando o universo: uma paródia light, cliché e não misógina de Hank Moody.
07/02/17
é como caminhar por um corredor escuro. e ninguém te toca — ou talvez toque, mas não fica. deixe ser, deixe ir.
a escuridão chega todos os dias, com a pretensão de se apossar de todos os espaços disponíveis ou não disponíveis. e continua viva uma força mística que labuta com afinco para manter as velas acesas. contudo, sinto dizer que mesmo essa magia se desfaz em meio à ventania. um sopro fugaz, um momento, quiçá um estalo e vemos o movimento sensual das cortinas se embrenhando umas nas outras.
pode ser triste, mas pode ser terrivelmente bom. sentir, não existem palavras para descrever, e sim outras sensações indecifráveis que nos afastam ou aproximam da coisa em si.
gostaria de conseguir me demonstrar com maior profundidade, não inventada, apenas a real... infelizmente, fazer emergir as profundezas de alguém não é como pegar um pirulito no pacote. mas juro, com toda a beleza que já vi e senti na vida, que crescem lírios em todas as cabeças.
menos nesta aqui, cujos lírios são raspados de tempos em tempos. talvez seja por isso que periodicamente assisto a mim mesma conjurando os mesmos versos de novo e de novo e de novo.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
"blue is the warmest colour" ou cacos ou os (cerca de) 250 dias mais intensos da minha vida
ainda prefiro chutar 01031994 xícaras de porcelana branca e concussionar o quarto artelho direito em todas as 01031994 vezes a assistir ao teu desmoronamento, às tuas recaídas em cima do fio da navalha fina que contempla tua pele feito "Le penseur".
parece que ter razão nunca foi meu forte, de fato, o amor não tem fim. ele permanece, mesmo que cochichando na penumbra que o oculta.
a história pode até ser cíclica, mas esse amor...
parece que ter razão nunca foi meu forte, de fato, o amor não tem fim. ele permanece, mesmo que cochichando na penumbra que o oculta.
a história pode até ser cíclica, mas esse amor...
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
não-sei-o-que
me deparei com um meme cujos dizeres eram "me dá um conselho baseado no que você aprendeu esse ano". pense seiscentos ciclos lunares antes de dizer coisas fatais. ou diga sem pensar tantos ciclos lunares, apenas diga. bota pra fora. deixa sair. rala. só não pode ser com dó nem com pesar nem com receio, só um flash.
o flash faz o momento, uma coisa única derramando verdades. se desmanchando no que é. essência.
todos os dias quando o ponteiro marca 16h20 eu alimento a pequena mágoa, que já não é tão pequena assim. que já não passa tão despercebida assim. que já não pode ser camuflada como alguma coisa sobre a qual se diz "tal-coisa-assim". ela possui um volume disforme, um peso e mesmo uma áurea. ela se debruça... tal-coisa-assim, tão aconchegante.
e vem uma previsão climática aparentemente apenas previsão, um chuvisco, quem sabe uma chuvinha leve, nada torrencial. e então a coisa toma proporção de um admirável-mundo-novo cujas não-sabe-se-definir-o-que e sensibilidade são maremotos de encantamento.
chuvas torrenciais de sol em escorpião com ascendente touro e lua em sagitário e vênus em sagitário e marte em câncer e saturno em aquário e.
me leva ô beibe me leva.
o flash faz o momento, uma coisa única derramando verdades. se desmanchando no que é. essência.
todos os dias quando o ponteiro marca 16h20 eu alimento a pequena mágoa, que já não é tão pequena assim. que já não passa tão despercebida assim. que já não pode ser camuflada como alguma coisa sobre a qual se diz "tal-coisa-assim". ela possui um volume disforme, um peso e mesmo uma áurea. ela se debruça... tal-coisa-assim, tão aconchegante.
e vem uma previsão climática aparentemente apenas previsão, um chuvisco, quem sabe uma chuvinha leve, nada torrencial. e então a coisa toma proporção de um admirável-mundo-novo cujas não-sabe-se-definir-o-que e sensibilidade são maremotos de encantamento.
chuvas torrenciais de sol em escorpião com ascendente touro e lua em sagitário e vênus em sagitário e marte em câncer e saturno em aquário e.
me leva ô beibe me leva.
sábado, 26 de novembro de 2016
descrita
tentei apagar as fotos, mas algumas não consegui. então só tentei deixar pra lá (ainda tô tentando), vai que uma hora dá certo, né, a vida tem dessas coisas de doces e travessuras (às vezes boas, às vezes podres, como a maçã insossando na geladeira).
é a segunda noite seguida na qual não vejo a lua. saudade. saudades. saudade? saudades. as maçãs do rosto como que adormecem e latejam. veias quase estourando. a respiração desesperada. pânico?
queria ser forte como minha irmã. será que consigo?
outro dia a gente se vê. ou não. mas provavelmente sim. energias se atraem a todo momento. quem sabe a gente... se a gente... se. fica sempre nisso. de vez em tempos quase quando talvez acontecem ou surgem uns alvoroços, bem vezenquando um fulgor.
pluf, o tempo se esgotou
é a segunda noite seguida na qual não vejo a lua. saudade. saudades. saudade? saudades. as maçãs do rosto como que adormecem e latejam. veias quase estourando. a respiração desesperada. pânico?
queria ser forte como minha irmã. será que consigo?
outro dia a gente se vê. ou não. mas provavelmente sim. energias se atraem a todo momento. quem sabe a gente... se a gente... se. fica sempre nisso. de vez em tempos quase quando talvez acontecem ou surgem uns alvoroços, bem vezenquando um fulgor.
pluf, o tempo se esgotou
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
pretérito
se não te tenho na pele, por outro lado a tenho constantemente nos pensamentos emaranhados. me julgando. me apontando. me culpando. me cuspindo palavras de bigorna.
as cenas de l'amour à vingt ans me parecem pesadamente longínquas, quase que um borrão, como se o tempo estivesse eternamente embriagado, uma explosão de encontros e emoções chapadas feat embaladas por uma onda made the scene, week a week/ day a day, hour a hour/ the gate is straight, deep and wide// break on through the other side/ break on through the other side.
quem disse que a infinitude é uma fenda fisicamente temporal e temporalmente longa?
posso sentir o abismo que se criou em picos tétricos elevadíssimos e com ventanias capazes de nos carregar like a plastic bag drifting through the wind. e o resquício desse vendaval não passa de um beijo mirado na testa, jogado de longe, o beijo da apatia.
"oh, life is bigger
it's bigger than you
and you are not me"
as cenas de l'amour à vingt ans me parecem pesadamente longínquas, quase que um borrão, como se o tempo estivesse eternamente embriagado, uma explosão de encontros e emoções chapadas feat embaladas por uma onda made the scene, week a week/ day a day, hour a hour/ the gate is straight, deep and wide// break on through the other side/ break on through the other side.
quem disse que a infinitude é uma fenda fisicamente temporal e temporalmente longa?
posso sentir o abismo que se criou em picos tétricos elevadíssimos e com ventanias capazes de nos carregar like a plastic bag drifting through the wind. e o resquício desse vendaval não passa de um beijo mirado na testa, jogado de longe, o beijo da apatia.
"oh, life is bigger
it's bigger than you
and you are not me"
terça-feira, 15 de novembro de 2016
roda da fortuna
aqui nesse quarto gélido e cerrado, sentada no tapete, sinto os dedos dos meus pés tão gelados quanto uma cerveja recém-saída da geladeira em pleno inverno. cultivo o que dá pé, e o que não dá pé vou regando pra ver se floresce aos pingos de milagre esperançado.
me assombra essa falsa empatia, esse altruísmo irreal, me corrói essa liberdade utópica, esse amor rancoroso, me afasta essa falta de espaço.
me afasta dessa falta de espaço.
a cabeça virada
o sorriso abrasivo
a mão no ombro
laços comedidos
vivência estagnada
o ápice do brilhantismo da esperança no auge do
eu-sozinha eu-por-mim eu-comigo.
eu consigo.
o eu que prevalece com sombra de dúvida no reflexo do tempo espatifado.
eu-tenho-a-mim. e mais ninguém.
"A solidão é um luxo"
domingo, 25 de setembro de 2016
sem título
procura-se:
|s
|e
|r
|e
|i
|a
saudade
não tem tradução
"It's just the start of the winter
and I'm all alone
and I've got my eye right on you
give me a coin and I'll tale you to the moon
give me a beer and I'll kiss you so foolishly,
like you do when you lie, when you're not in my thoughts,
like you do when you lie and I know it's not my imagination
Loving strangers, loving strangers,
loving strangers, oh..."
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
sem título
Tá certo. Cês que são xs normais e eu é que sou louca. Enquanto cês tão conforme as normas, eu vou atravessando as arestas, rebentando feito tromba-d'água-feat-labareda.
Eu tô sofrendo tanto. Nunca fui tão triste. Por que é que a vida existe?
Eu tô sofrendo tanto. Nunca fui tão triste. Por que é que a vida existe?
terça-feira, 20 de setembro de 2016
o blues de Lorelai
o tempo chora por agora,
seria fruto da tristeza pela nossa desarmonia?
você que é feita de azul,
não me deixou morar nesse azul
nem encontrar minha paz,
você que é azul demais
você que é azul, demais.
seria fruto da tristeza pela nossa desarmonia?
você que é feita de azul,
não me deixou morar nesse azul
nem encontrar minha paz,
você que é azul demais
você que é azul, demais.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
angústia-de-nove-de-fevereiro-de-dois-mil-e-quatorze
Não sei por quê há sempre uma angústia. Angústia de ser, de amar. Angústia por, de alguma forma, """pertencer""" a uma pessoa que não a si própria, por sentir-se de tal modo interligada a alguém de quem antes jamais se ouvira falar. E é angústia por uma dependência ínfima e mútua que se esvai em cinzas.
angústia-de-quinze-de-setembro-de-dois-mil-e-dezesseis
não sou capaz de impedir o (teu) terremoto. nunca fui.
sinto o chão rangendo e se abrindo sob meus pés desnudos. fendas embrasadas.
o olho do furacão se aproxima, e pré-sinto-o tão voraz quanto as (tuas) marés que me enlevam.
olá, vendaval.
sinto o chão rangendo e se abrindo sob meus pés desnudos. fendas embrasadas.
o olho do furacão se aproxima, e pré-sinto-o tão voraz quanto as (tuas) marés que me enlevam.
olá, vendaval.
domingo, 11 de setembro de 2016
alvoroço labial
As nossas conversas abafadas,
você se derretendo no meu tom
– nosso? teu fim.
Vou captando feito linha-cruzada a tua fragrância power pussy highly sexual
Nossas conversas, palavras bailando
Sarração entre-cílios
que se beijam
você se derretendo no meu tom
– nosso? teu fim.
Vou captando feito linha-cruzada a tua fragrância power pussy highly sexual
Nossas conversas, palavras bailando
Sarração entre-cílios
que se beijam
entre versos
nossos verbos se esfregando
el fuego desperado
– flor
flores na cabeça,
Amor.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Até quando
18:01. Os pontos de ônibus estão apinhados de gente. Pessoas de todos os tipos, de todos os tamanhos, volumes, cores, odores.
18:02. Meu ônibus está em movimento. Todos os assentos estão ocupados. Qual o destino? Para longe e além.
18:03. O sol está terminando seu ritual de se pôr. O tom do céu é de um azul turquesa.
18:04. Hotel California, da banda The Eagles, acabou de tocar nos meus fones. E lá fora é orquestrada a cacofonia dos veículos poluentes.
18:05 18:06 18:07 18:08 18:09
Esse azedume, a rotina, arde nos olhos de qualquer pessoa. Quem nunca se cansa de ser sempre um palito num paliteiro? Quem não se cansa de ser só mais uma carinha falsamente feliz dentre tantas outras carinhas igualmente apáticas, compondo um coletivo tão coercitivo e doentio, protagonizando uma mortandade indissolúvel em plena vida?
Se x povx brasileirx é umx povx triste, isso certamente não se deve aos colonos luso-português – fossem eles aventureiros miseráveis, fidalgos, membros da côrte, tivessem eles sangue azul ou não –, nem axs aborígenes, nem axs negrxs traficadxs do continente africano. Essa tristeza nefanda certamente não se deve ao desejo insaciável por riqueza fácil que tinham os colonos e posteriormente xs mamelucxs e mulatxs e fosse lá mais o quê.
E certamente ela não é proveniente da luxúria e outros desvarios daquelas pessoas. E certamente São Paulo não escapou das lástimas que assolam o país.
18:23. O trânsito está uma bosta como de costume. O transporte público, esse curral, esse matadouro ambulante não vale o esterco de um ruminante.
18:24. And I am hungry like a wolf, disse Duran Duran.
18:25. Alguém escreveu "Dilma e Aécio 'de' as mãos e vão para o inferno" nas costas de um dos assentos, concordo com essx ser iluminadx que desconheço.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Quinta-feira
Estou deitada. Estou deitada na sala. Estou deitada na sala há meia hora. Estou deitada na sala há meia hora ouvindo a vida passar.
Daqui posso ouvir alguém discar números num telefone, e a ligação chamando. Também posso ouvir essa pessoa sendo atendida.
Daqui ouço uma moto passando lá na rua. E mais uma.
Ouço alguns pássaros cantando... Minha irmã caçula também.
E os gatos estão deitados ao meu redor. Três. São três gatos. Todos dormindo.
Continuo aqui, deitada na sala ouvindo a vida passar. Estou pensando em você. É quinta-feira.
sábado, 14 de junho de 2014
Moitas
Há alguns dias li um livro de autoria de Sophie Calle, intitulado "Histórias Reais", nele ela conta brevemente reminiscências da própria vida. Me tocou. Tentarei reproduzir alguns fatos de minha vida da mesma forma. Lá vai:
Lembro de que desde que me entendo por gente gosto de pessoas sem discriminação de gênero. Cerca de aos 4/5 anos de idade, fui apaixonada por uma amiga e por amigo, ambos do jardim de infância.
Eu costumava sonhar com a minha amiga, Tabatha, era como ela se chamava. E também com o meu amigo, de nome Yohan.
Certo dia, após o fim da aula, Yohan e eu saímos escondidos da escola e fomos para o parquinho que havia nos fundos, ficamos entre as moitas. Depois desse dia não lembro de tê-lo visto novamente.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Err
Toda essa areia talvez não saia nunca mais do seu cabelo. Mas e daí, né? E daí que esse é o motivo pelo qual pego um punhado de areia sempre que vou à praia e levo pra casa, ponho no centro da sala e cultuo-o, e conservo-o. Não vejo mais o piso de tanta areia que há pela casa. Isso me lembra seus cachos, isso me lembra você.
Mas eu sou aquela que não acerta uma. Eu sou aquela que pisa mil vezes na mesma bosta de cachorro feita despropositadamente na esquina de qualquer rua. Vai ver é por isso que gosto tanto de sentar no chão, que é bem lugar de gente débil e fraca como eu. Sou aquela que conta os mesmos contos e erra as mesmas passagens. Sempre e sempre. Sou aquela com quem não se discute, mas só porque não vale a pena mesmo. Também sou aquela que valoriza as pequenezas e que treme por dentro quando percebe que não enxerga mais a beleza que há nessas miudezas.
Aprendi que ser alguma coisa não tem valor algum. Aprendi que somos seja lá o que formos até não sermos mais. Aquela que aprende da maneira mais escrota, essa sou eu.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
4:08
Queria que essa música parasse de tocar na minha cabeça. Que o disco se partisse. Mas ele não pára. Ora, vaso ruim não quebra!
Portanto, eis-me aqui.
Aconteço diversas vezes, continuamente. Vivência sem fim por (des)excelência.
Prevejo cerejeiras indesfrutáveis.
Antecipo o desconforto.
Toco a poeira com leveza inexistente.
Recebo o não-contato, olhares mórbidos e insalubres por merecer.
Fui-me indo.
Ops, nem (me) vi.
Estaquei em plena corda bamba.
Esbarrei no muro das lamentações. Fiquei grudada.
Down em mim
Chorei pitangas, contei carneiros, cantei MPB. Ouvi Caetano, Chico, Elis. Adorei outros mortais, alguns singulares. Ri pra não chorar. Chorei quando pude confortar-me a mim mesma. Inventei estórias e histórias, sofri por opção. Abracei-me à solidão. E com ela dancei. Vivi. Amei.
Sou um pouco disso, um pouco daquilo. Fui outras coisas, de algumas um pouco mais, de outras nem tanto. Me agarrei ao encanto, gritei aos prantos. Pesquisei palavras difíceis só pra rimar bonito, e sofistiquei arrogâncias. Calei pra não ficar só. Deixei pra falar quando o silêncio me pediu.
Já permiti-me apaixonar. E depois me tranquei em meu próprio infinito particular. Acho que perdi as chaves, sei lá. Labirintos de desilusões.
Hoje em dia, como cenoura, e continuo não tomando água com gás. Agora toco em margaridas, cheiro o perfume das hortências e despetalo rosas. Aos girassóis dou muito amor e carinho, e água, e luz do sol.
Antes eu pensava no agora, e agora guardo lembranças. Mas só as boas. As ruins, nessas eu dou descarga sempre que surgem boiando.
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