"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

o dia que não terminou

começou com uma tossezinha irritante
depois se transformou num megazord de sacrilégios e impurezas
dor no corpo
dor nos olhos
cólica
febre numa montanha-russa intermitente ultrapassando 39º por três dias consecutivos

minha mãe fez uma piada:
"fragilis".
só existe uma pessoa no mundo pra quem contei de onde tirei a ideia pra essa pachorra de tatuagem
e eu sequer lembro quem.

não é pela fragilidade
o que era imenso e quebrantável já deu adeus de longe.
nos dois dias que se seguem a hoje foi o último encontro dos nossos olhares há um ano.

psicossomático.

por mais algum tempo o sol permanecerá em escorpião e, como foi dito em saturnália
"escorpião não faz barulho, escorpião faz silêncio",
Silêncio... O Devorador de Entranhas.
e a lua está em peixes, "signo que escapa entre os dedos... lua de todos os cardumes, a lua de todos os sonhos"
o inverso de nós

sonhos...
eu parti meu sonho personificado
ela foi embora.
só me ama nos meus sonhos de dormir,
hoje foi assim, disse ao meu ouvido que queria estar comigo
acordei no mesmo instante com o coração em vias de explodir e o comichão no mesmo ouvido

preferiria amar além-túmulo a amar à distância.

domingo, 15 de outubro de 2017

sarjeta

a gente se encontra nas situações mais inusitadas
costumo me perguntar se é real ou sonho
e deixo a saudade inundar o peito
hoje eu te abracei forte, com a maior gratidão de estar com você outra vez
e a gente ficou assim num momento parado no tempo, bailando abraçadas

saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade
saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade
saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade saudade
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saudade saudade sereia saudade saudade saudade saudade
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saudade saudade saudade saudade
saudade saudade saudade
saudade saudade
saudade
era um sonho.
te amo
te amo te amo
te amo te amo te amo
te amo te amo te amo te amo
te amo te amo te amo te amo te amo
te amo te amo te amo te amo te amo te amo
te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo
te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo
teamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamo
teamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamo
teamoteamoteamosereiateamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamo
teamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamo
teamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamoteamo
te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo


me pergunto se todos os nossos giros repercutem apenas na minha cabeça
sou marionete desse sentimento
estou ficando louca - não posso
por que só eu sinto?
sentir sozinha é o meu inferno particular
realidade e sonho são extensões contínuas de castigo inflexível
às vezes ainda é insuportável viver.
se eu pudesse esquecer
se eu pudesse não sentir
se eu pudesse não mais sonhar com você
talvez talvez talvez
às vezes se reduzisse a ser somente difícil lidar com algumas lembranças,
como limpar um foco de sujeira da vidraça
mas a vida é trem-bala parceira,
passa rápido e descarrila.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

níveis abissais

gosto de sentir. de sentir grande, sem esmolas e misérias. sentir por inteiro, sem escalas nem metades e economias. gosto de sentir de forma a ficar desorientada com o que se passa do lado de fora, como se eu fosse invadida, violada por algo grande e turbulento. viver não é fácil. sentir também não. mas sentir - sentir de verdade, com profundidade, olhar nos olhos e entrar em contato com essências e ondas - por mais tumultuoso que possa ser, e por mais que seja difícil e acabe por gerar transtornos - cedo ou tarde alguém se queima se afoga se explode -, sentir com ardor me é prova de que estou viva. e não há nada mais belo do que estar viva e se sentir viva.
nada mais magnífico e verdadeiro do que realinhar as próprias órbitas.
sem sentir, me pergunto qual o sentido disso tudo. sem queimar com ardor eu não me sinto eu não me vivo eu não existo realmente eu só flutuo no tempo-espaço.
só estar não é e jamais será o suficiente, mesmo que haja longos períodos de paz interior.
paz interior se torna uma formiga minúscula ao lado do sentir.
ela não me proporciona a noção de estar viva de entrar em contato com o que está além de sentir com grandeza imensurável de ficar louca de paixão de amor de desejo compartilhado, ela só mantem a matéria do meu corpo em movimento.
de que me vale estar viva sozinha? não há catarses epifanias aguardar com ansiedade até que falte menos de uma hora pra faltar menos de oito horas até que possamos nos ver nos tocar nos transmitir pensamentos via olhar entrar em sintonia de corpo presente olfato tato paladar, meu ascendente é touro, preciso do palpável pra saber que é verdade que existe que é real porque sentir também é roçar os ombros e o estômago tremer de excitação.
me pergunto sem sentir, quando vou viver de novo.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Carta Ultrarromântica (retalhada) - 06 de setembro de 2017

Não sei se isso ainda te magoa, sei que me magoa. Me magoa que eu não tenha acertado em suportar a famosa barra e trabalhado conjuntamente com você para ficarmos bem, e em contrapartida ter acertado em cooperar em prol do nosso rompimento. Me magoa que na melhor coisa que eu tive em toda a minha vida, eu tenha sido - em parte - o pivô do fim. Quando olho pra mim, vejo rastros de destruição. Não é fácil lidar com isso, com bigornas na consciência e no coração.
Nunca fui uma pessoa carinhosa - e com você eu era tanto! hoje em dia é quase uma miragem, mas ainda lembro, o que me deixa contente e triste simultaneamente - nem que tivesse a capacidade de perdoar e construir relações, e isso estou aprendendo agora que moro com meu pai e que preciso, de alguma forma, me tirar o peso de ter te afastado pra sempre.
Pra sempre é um termo muito forte. Ainda tenho o último e-mail (anterior ao de aniversário) que te mandei e me recuso a ler. Olhando pra tudo o que aconteceu lá naqueles dias, eu vejo uma outra pessoa - que eu sei que era eu agindo, era o meu corpo, o meu cansaço, a minha dor, a minha angústia, o meu eu, o meu ego; e isso me dá náuseas, pois sei que era eu e não me faz sentido que fosse eu. Então não leio o e-mail cujas palavras eram de um eu muito machucado e fora de órbita e que te machucou infinitamente também.

Você me ensinou tantas coisas... A amar visceralmente, a dar carinho, a ter paciência - por mais que eu tenha errado diversas vezes nesse quesito -, o valor de pensar antes de falar e agir - apesar de também ter errado diversas vezes nesse quesito -, a cuidar e a ter responsabilidade com alguém além de mim mesma, a me empenhar mesmo que doesse, a não jogar em cima das outras pessoas o peso das minhas escolhas e suas consequências... Resumindo, se eu fosse falar de cada uma delas, seria necessário ter uma outra vida só pra isso. Agradeço imensamente por tudo, pelas partes boas e ruins, igualmente.

Eu não sei como você tá com relação a mim na sua cabeça nem no seu coração - se está mal, eu mereço, e se está bem, eu não saberia o que dizer nesse caso, então vou prosseguir com os meus delírios últimos mesmo que você gargalhe muito de mim e diga ou pense "otária, tem mesmo é que se foder".
Com base em todo esse tempo sem a gente, sem poder me comunicar com você, sem você at all, agora por experiência posso afirmar: caralho, é horrível viver sem você. Não existiu e continua não existindo um dia sequer em que eu não lembre da gente pense na gente em você não tenha taquicardias de saudades. Você é o amor da minha vida. Vivi anos sem saber da sua existência e posso continuar vivendo sem você por perto, e eu não sei se isso é certo ou errado se é bom ou não - se é que pode ser dicotomizado -, mas preferiria mil vezes mil ad aeternum nunca mais em toda a minha mundana existência ter que passar mais um dia sem você.
Minha vida sem você é toda ela menos do que a terça metade de uma vida. Você é o meu respirar, é o meu pulsar, você é todo o sentimento que eu tenho, você é o meu viver, as cores dos meus dias, você é o motivo d'eu existir. Não existe eu sem você. Eu não amo ninguém além de você nunca amei ninguém além de você nem nunca vou amar ninguém senão você. Parece loucura e talvez seja mesmo, mas eu tô pouco me fodendo para todas as outras sete bilhões de pessoas do planeta, eu não preciso delas pra nada, elas não me fazem sentir nada. Elas não são você.
Tudo o que nós vivemos juntas, eu viveria de novo. Se fosse possível mudar o fim, não encerrando nele um ponto final, eu encheria balões azuis no lugar dele te guiando de volta até mim, até a gente se reencontrar e sufocar de tanto amor.
Não falo todas essas coisas lindas e maravilhosas pra que me tenhas em pensamentos como alguém que é outra pessoa agora, eu sou a mesma pessoa, só que um pouco melhor (na minha opinião), com um pouco mais de paciência, com um pouco mais de pensar, com um pouco mais de vivência e com um pouco mais de certezas.
Você é uma das minhas certezas.
Se, numa realidade alternativa, nós juntas voltássemos a existir, espero que seja muito melhor do que já foi aqui. Se voltássemos a existir aqui, todo mundo me odiaria, todo mundo nos ombros de quem chorei e quis morrer e chorei de novo e caí e esperneei, e todo mundo que te acompanhou... Mas o que seria todo o sentimento de desgosto alheio perto de todo o amor dos multiuniversos dentro dos nossos abraços? Sei que é loucura...
A verdade é que eu te amo mais do que tudo.

Te amo de uma forma muito louca que não dá pra expressar em palavras - até tento, mas tenho a impressão de que sempre sai uma coisa torta.
Com muito amor e carinho,
Agata.




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

06/10/2017

a você, em quem estive pensando hoje de manhã, enquanto caminhava sob um sol morno que me lembrou você pela tua gana de se fazer presente de se agitar de queimar com ardor.
você, que me estendeu as duas mãos em momentos muito marcantes e em outros, também. que me fez surpresa no meu aniversário de 2014 – macarronada de uma massa em formato de concha ao molho branco com queijo e brócolis e outros segredos e algumas cervejas; era o nosso segundo mês em casa, nossa casa; e a gente se cuidava se protegia era bem bonita, a nossa amizade – e que, antes disso, bondosa e gratuitamente me acolheu na própria toca quando eu estava tendo novamente problemas em casa, e que também me ajudou muito numa determinada relação tóxica. enfim, muitas forças você me deu.
e este ser, é humano. erra-se pra acertar, erra-se por errar. uma hora feridas surgem. e hoje eu percebi que não sinto mais rancor raiva dor tristeza pelo o que se quebrou – era muito bela mesmo, nossa amizade com tons bem ao nosso elemento. hoje voltou a estar tudo bem (da minha parte) com relação às tuas verdades ao teu jeito torto bruto pesado impetuoso espontâneo por vezes ingênuo.
ímpar.
hoje eu desejo muito que estivéssemos nos cuidando ainda com justiça com cumplicidade com afeto com amor. pra mim, não faz mais sentido continuar erguendo muros de ódios e silêncios. gostaria muito que nossa amizade pudesse achar algum caminho redentor. mas não depende só de mim.
sou inenarravelmente grata por tudo de bom e terno que brotou no nosso jardim.

à satanariana empoderada e empoderadora que uns dias eu conheci.

domingo, 17 de setembro de 2017

cuidado com o vão

O que seria de tu, se não fosse tocada pela miséria da alma
das disforias da psique
dos tormentos de não se diluir,
de não se esquecer (de si)

Da tua sombra eu vislumbro
a ferida aberta
E vazia de si, ela goteja
em cova rasa e descampada

Um borrão em andamento
Cai o espelho da persona,
Eu despedaçado.

A podridão e a beleza de ser
o que se é
e do que não se é também.

há-angústia-entre-nós.

Tropeço na morbidez do eu sozinho
Onde o surto da ausência regurgita por atenção

Por detrás da porta, a ausência insone que sufoca
Incessantemente, perpassa umbrais que adentram incômodos
com delírios do leviano.

20/07/2016