"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

domingo, 4 de março de 2018

Às cargas

Ao nosso amor, aposentado por invalidez, condiciono doses cavalares de esquecimento.
O meu ego, presenteio com reluzentes esporas e camisas de força de acordo com a tendência.
À angústia e às dores no peito, cabeça, ombros, corpo, consciência, indico sessões frequentes de meditação guiada e incensos.
E à essa pessoa maravilhosa, colecionadoranata de papéis de trouxa e infortúnios e azares na sorte – e algumas sortes no azar –, que vem carregando tudo o que já não tem mais capacidade física, emocional e psicológica, dou de bom grado as maiores das dádivas:

perdão
amor
e
tempo



31/01/2017

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

a você, gracinha, que me atura todos os dias
em cada crise em cada surto em cada momento de desespero e perda de autocontrole
a você, boboba (bobona feat boba), que não me segura quando tropeço no nada e me estabaco
e ri comigo e me ajuda a fazer piadas das próprias desgraças, pois sim, o riso nunca pode parar
cujo riso nunca deve parar e dar lugar ao autodepreciamento e choros aos leites derramados – mesmo que haja momentos de hesitação e retrocesso
a você, palhacita 2000, que faz a mim e à outras pessoas terem frouxos de risos
pra distrair dos maus momentos
a você, cabeçorra, que é gente como a gente
e às vezes precisa de muito mais tempo pra repensar e superar as mancadas
a você, sutileza em forma de coice, que não tem muito tato na forma de falar
a você, divina comédia, que nunca mais beberays dessa água
e, em contrapartida, nela só se afogarays
a você, monstrinha peçonhenta, que por fora é a personificação do blasé
mas por dentro é pântano de sentimentos
a você, porra louca da buceta, que me levou a lugares onde jamais pensei que chegaria
tanto pro bem como pro mal, e a escadaria é longa e pode ser infinita
e só por isso eu já te amo um tantão
a você, ansiedade ambulante, que me deixou mudar de curso tantas vezes que perdi a conta
mas que me faz abrir os olhos todos os dias e levantar da cama, que me dá banho e me escova os dentes e me penteia os cabelos com os dedos e me alimenta e me cuida e me tenta entender em todos os ângulos e me perdoa quando ninguém mais consegue
que me faz respirar que me faz viver
e acreditar que hoje pode estar péssimo
mas que amanhã, ah, amanhã, sim, pode ser muito melhor,
hoje a gente toma porrada, meu amor, mas amanhã a gente sabe se defender
e por isso eu te amo na proporção da via láctea em expansão
a você, persona-antolho, que pode até não se acreditar da forma incrível e indescritível que é
mas que lá no fundofundofundo, eu sei. eu vejo. eu sinto. eu te vivo. eu te acredito.
é a melhor pessoa que eu poderia ser.
é a melhor pessoa que eu posso ser.
eu te sou eu te amo como jamais poderei amar outro alguém.




há 02 dias, eu&mozão-melhor-melhor-do-mundo >>>Ágata<<< completamos 06 meses de relação estável (ou algo muito próximo disso), e a verdade é que já são 25 aninhos e uns quebrados – objetiva e subjetivamente falando – de ultra-amor-e-ódio de compreensão de autoconhecimento de tentativas de mergulhões profundos em poças rasas de piadas ruins de solidão de risadas histéricas.
só queria dizer que amo essa pessoa mais do que tudo e a ela devo tudo.

muito obrigada por ser quem é e por tentar ser cada vez melhor.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

infarto não-figurado

impossível mesmo é te ver sem sentir mais pedaços de mim se estilhaçando
e o autocontrole que se desmancha no delay da percepção visual
não por raiva nem rancor ou mágoa, não.
foi o tempo de amor mais bonito e benquisto nesses 25 anos de tropeções e estabacos
foram os compassos mais passíveis de desesperos e arrebatamentos astronômicos,
nossa coleção minimalista de amor-inferno através da vitrina, eu vi
jamais te quereria esquecer se antes não continuasse a te amar tão visceralmente.







21/02/2018





"escolhi correr quando te vi
soube que o tempo passou
desde que eu me fui
não posso expressar em palavras
os sentimentos
ai só sobra uma explicação da intenção
sou o ar, e quando aperta eu corro
entendo, mas não me orgulho
só aceito
sei que isso fala mais de mim, do que de você
você é a estrela que eu vejo passar quando fecho os olhos
me causa uma explosão te encontrar
só me basta correr
para não morrer de emoção"
(GONÇALVES, Igor)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

i just ride

você continua comigo,
nos ponteiros de todas as horas
nas portas janelas coração escancarados

nos abajures improvisados
nas memórias,
imagens insolúveis

te vejo
em todas as coisas
em todos os lugares,
mesmo naqueles nos quais jamais estivemos

nos vejo juntas
e te imagino passando por eles sem mim,
com diferentes sorrisos
com outras pessoas

me faltam palavras

fecho os olhos e nos visualizo em casa, conversando fumando transando
and it feels so right

como é possível amar tanto?
você poderia ser minha full time, quente ou fria.
me importaria,
preferiria que jamais esfriasse.

e eis que no sétimo mês foi criada a distância
demandada por essência da divina importância.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Término daquilo que nunca existiu

Não posso fazer isso.
Não posso. Não consigo. Não quero.
Tenho motivos pra não querer. Você me deu todos eles muito generosamente.
Gosto demais de você, mas não dá. Você me dá nada mais que punhados de palavras.
Sinceramente (muito sinceramente), se fosse pra eu viver uma relação na qual sempre estaria inevitavelmente sofrendo, com toda a certeza do universo eu estaria até hoje e para sempre com Lorena, O Amor da porra da minha vida.
Se até ela, O meu Amor, eu mandei colher mariscos pra poder sobreviver quando precisei... Você acha mesmo que eu vou ficar passando situação por alguém que só me dá palavras???
Cara, isso não faz o menor sentido. Se situa.
Ela, eu sabia que me amava e não era pouco. Ela me perturbava o psicológico, sim, pra caralho, a vida dela não era fácil e no fim me enlouquecia aquilo tudo, me matava, eu não aguentava mais tudo aquilo naquele momento. Eu precisava de espaço. E ela me amava demais, eu sei que sim, eu sentia eu via eu vivia aquele amor imenso.
Ela era muito, muita dor e muito amor. E eu sabia porque eu vivia aquilo, não só o amor. Eu sentia a dor que ela sentia em momentos de conexão do além. Por ela eu me arriscaria. Ela não me dava apenas dor. Me dava mais do que compreensão. Me dava muito mais do que amor.
Não consigo te explicar, mas não importa, você não entende todo o sentimento gigantesco que pode haver entre dois universos corpusculares.
E você não me merece.

Espero que se realize em tudo na vida.
Beijo.








Carta de 05/02/2018

domingo, 4 de fevereiro de 2018

cabe mais

cabe mais amor em nós.
cabe mais amor entre nós,

entrenós
        nós
        nó.












sem data

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

estado de viva satisfação; ledice;

talvez seja esse sol na casa oito ou essa lua em escorpião na casa seis talvez seja o amor imenso que minha visão vulva veias válvulas coronárias orelhas tímpanos coxas corpo consciência arrepios que eu por inteira sinto por você que me faz ter saudade até do colchão anterior. o primeiro eu te amo com o qual você me presenteou foi deitada por baixo de mim e sobre ele, aquele colchão velho e mofado.
um choque percorreu meu corpo inteiro da cabeça aos pés. lembrança extracorpórea.
que você tenha plena consciência da minha existência, meus átomos clamam ao universo. porque mesmo na intangência do toque ardoroso de paixão derreto de amor cantarolo contorciono e desidrato de tesão. e se meus sentimentos soam devotos é porque são.

minha memória é muito tenebrosa demasiado curta sim, não se interessa em reter várias informações cotidianamente importantes, já saberes inúteis e sofrências tretas livros emprestados e dinheiro devidos, ó, pra isso sempre foi ilimitada (vocês que me devem, eu lembro tá).

e eu me proíbo
me proíbo veementemente
de te amar exponencialmente
de ter arroubos de paixão de outras dimensões
de ter frouxos de saudades
de ter arreios de libido desenfreada
de te sonhar
de te querer
de te ler e te sentir pelos retinidos do cruzamento dos nossos rastros oculares

proíbo a mim
de botar fé em futuro furado
de planejar com o leviano
de desejar alguém sem sombra
de sufocar no armário pra agradar a terceiros
de fazer trato com o léu
de afagar a relegação
de engrossar a vista pro egoísmo
de deitar e refestelar sob o desprezo
de permitir aos meus ouvidos o prazer dúbio dos cantos de ossanha e convites de sereias
de embelezar as traças
de me moldar ao teu toque
de mudar meus rumos pra te abraçar

eu me proíbo da tua presença
e te suprimo da minha