"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Até quando

18:01. Os pontos de ônibus estão apinhados de gente. Pessoas de todos os tipos, de todos os tamanhos, volumes, cores, odores.
18:02. Meu ônibus está em movimento. Todos os assentos estão ocupados. Qual o destino? Para longe e além.
18:03. O sol está terminando seu ritual de se pôr. O tom do céu é de um azul turquesa.
18:04. Hotel California, da banda The Eagles, acabou de tocar nos meus fones. E lá fora é orquestrada a cacofonia dos veículos poluentes.

18:05 18:06 18:07 18:08 18:09

Esse azedume, a rotina, arde nos olhos de qualquer pessoa. Quem nunca se cansa de ser sempre um palito num paliteiro? Quem não se cansa de ser só mais uma carinha falsamente feliz dentre tantas outras carinhas igualmente apáticas, compondo um coletivo tão coercitivo e doentio, protagonizando uma mortandade indissolúvel em plena vida?

Se x povx brasileirx é umx povx triste, isso certamente não se deve aos colonos luso-português – fossem eles aventureiros miseráveis, fidalgos, membros da côrte, tivessem eles sangue azul ou não –, nem axs aborígenes, nem axs negrxs traficadxs do continente africano. Essa tristeza nefanda certamente não se deve ao desejo insaciável por riqueza fácil que tinham os colonos e posteriormente xs mamelucxs e mulatxs e fosse lá mais o quê.
E certamente ela não é proveniente da luxúria e outros desvarios daquelas pessoas. E certamente São Paulo não escapou das lástimas que assolam o país.

18:23. O trânsito está uma bosta como de costume. O transporte público, esse curral, esse matadouro ambulante não vale o esterco de um ruminante.
18:24. And I am hungry like a wolf, disse Duran Duran.
18:25. Alguém escreveu "Dilma e Aécio 'de' as mãos e vão para o inferno" nas costas de um dos assentos, concordo com essx ser iluminadx que desconheço.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quinta-feira

Estou deitada. Estou deitada na sala. Estou deitada na sala há meia hora. Estou deitada na sala há meia hora ouvindo a vida passar.

Daqui posso ouvir alguém discar números num telefone, e a ligação chamando. Também posso ouvir essa pessoa sendo atendida.
Daqui ouço uma moto passando lá na rua. E mais uma.
Ouço alguns pássaros cantando... Minha irmã caçula também.
E os gatos estão deitados ao meu redor. Três. São três gatos. Todos dormindo.

Continuo aqui, deitada na sala ouvindo a vida passar. Estou pensando em você. É quinta-feira.

sábado, 14 de junho de 2014

Moitas

Há alguns dias li um livro de autoria de Sophie Calle, intitulado "Histórias Reais", nele ela conta brevemente reminiscências da própria vida. Me tocou. Tentarei reproduzir alguns fatos de minha vida da mesma forma. Lá vai:

Lembro de que desde que me entendo por gente gosto de pessoas sem discriminação de gênero. Cerca de aos 4/5 anos de idade, fui apaixonada por uma amiga e por amigo, ambos do jardim de infância.
Eu costumava sonhar com a minha amiga, Tabatha, era como ela se chamava. E também com o meu amigo, de nome Yohan.
Certo dia, após o fim da aula, Yohan e eu saímos escondidos da escola e fomos para o parquinho que havia nos fundos, ficamos entre as moitas. Depois desse dia não lembro de tê-lo visto novamente.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Err

Toda essa areia talvez não saia nunca mais do seu cabelo. Mas e daí, né? E daí que esse é o motivo pelo qual pego um punhado de areia sempre que vou à praia e levo pra casa, ponho no centro da sala e cultuo-o, e conservo-o. Não vejo mais o piso de tanta areia que há pela casa. Isso me lembra seus cachos, isso me lembra você.
Mas eu sou aquela que não acerta uma. Eu sou aquela que pisa mil vezes na mesma bosta de cachorro feita despropositadamente na esquina de qualquer rua. Vai ver é por isso que gosto tanto de sentar no chão, que é bem lugar de gente débil e fraca como eu. Sou aquela que conta os mesmos contos e erra as mesmas passagens. Sempre e sempre. Sou aquela com quem não se discute, mas só porque não vale a pena mesmo. Também sou aquela que valoriza as pequenezas e que treme por dentro quando percebe que não enxerga mais a beleza que há nessas miudezas.
Aprendi que ser alguma coisa não tem valor algum. Aprendi que somos seja lá o que formos até não sermos mais. Aquela que aprende da maneira mais escrota, essa sou eu.