"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Monte de Merda


  Divisões, para que? Dividem-se, dividem-se e dividem-se novamente, e aí subdividem-se, e de novo e de novo... Para que o ser humano cria tantas etapas, tantos critérios, características, grupos, para que denotam tantas disparidades? Por que o ser humano, tão burro e cheio de si, quer a qualquer custo ser o melhor?
  O homem se preocupa demais com coisas supérfluas e materiais, e não dá a menor atenção ao que há de mais importante. De que adianta ter uma excelente escolaridade, um ótimo emprego, um salário estupendo, ser lindo, charmoso e gostoso, enfim, ter uma vida literalmente foda e ser uma pessoa vazia, estúpida, hipócrita? Alguém, pior que pobre, miserável de alma? Completamente desprovido da capacidade de sentir e viver?
  Essas pessoas sabem que são assim? Elas têm ciência de sua incapacidade? De que são vazias e frouxas? Se sabem, como conseguem não ter nojo de si e viver todos os dias como se estivesse tudo bem, tudo maravilhosamente excelente? Como conseguem continuar vivendo suas vidinhas fúteis de maneira ainda leviana?
  Como ser e fazer por fazer, perceber, e não mudar? Como deixar-se afundar na mesma merda dia após dia, noite após noite, ano após ano? O homem é um ser abominável.





"Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio." (Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio)



 
"There's a haze above my TV
That changes everything I see
And maybe if I continue watching
I'll lose the traits that worry me

Can we fast-forward to go down on me?
Stop there and let me correct it
I wanna live a life from a new perspective
You come along because I love your face
And I'll admire your expensive taste
And who cares divine intervention
I wanna be praised from a new perspective
But leaving now would be a good idea
So catch me up on getting out of here"
(Panic At The Disco - New Perspective)

domingo, 13 de junho de 2010

It's your love

  Como poderia eu dispensar esse sentimento? Mesmo se eu quisesse, seria impossível fazê-lo.
  Como seria viver sem sentí-lo, ignorando-o? Como seria? Nem me lembro mais de como era antes dele. Houve antes? Só lembro dele, da explosão infinita de alegria e ar fresco que me dá. Todo esse Amor... É tudo o que tenho, é tudo o que quero e nada menos.
  E como a vida parece tão mais bela, tão mais vívida e suportável. Incrível como algo pode tornar-se tão importante e maravilhoso a ponto de fazer isso... Provar que tudo é muito mais que o desprezível factual. É meio rídiculo e tosco, e sem sentido, mas não significa que não aconteça. É real.
  É tão real quanto este texto, é tão real quanto este frio fora de hora, quanto este casaco rosa, este esmalte laranja e estes livros e estas fotos... É tão real quanto tudo isto.
  É todo esse Amor grandioso e eloquente.
  Ele é tão grande e magistral que mal cabe dentro de mim, ele praticamente exala, quase sem querer escapa pelos poros e me impregna mais e mais, e aos outros também. Como é lindo! Não imaginas tu como é tamanha fartura de Amor.


  E ele é todo seu. Apenas seu.






"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você." (Caio Fernando Abreu)