"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Do que você tem desistido ultimamente?

Ultimamente, tenho aberto mão da minha vida, sabe, de sair, viver, descobrir, sorrir, sentir. Tenho vivido tão para dentro, mas tão para dentro, que, sinceramente, não lembro como é viver para fora. Apenas sinto saudade de coisas que não foram, coisas que sonhei, que aspirei com força, que moldei com Amor e carinho, sinto falta da ausência que não foi, que não será jamais.
Ultimamente, venho sentindo esse cheiro velho, esse cheiro costumeiro de lembrança engavetada, de cabelo que foi preso molhado, de dia seguinte que não chega. Sinto esse cheiro de lembrança esquecida e jogada fora, que está me abandonando aos pouquinhos, que está se desacomodando de mim. Sai cheiro, sai de mim, me deixa pra trás, me deixa pra frente, sai de mim cheiro inerente.

Antes eu pensava que não seria possível uma coisa dessas vazar, mas aconteceu, talvez fosse feito de poeira, tapar com a peneira não deu certo, os raios fugiram, a fumaça subiu, os sinais sumiram. Nós sumimos um para o outro, deixamos, de quando em vez, uns vestígios de passagem aqui e lá, nada mais que uns vestígios muito mal feitos e derramados. Éramos tolos.
Agora eu penso o mesmo de antes, não é possível uma coisa dessas vazar, se vazou, é porque não era uma dessas coisas. Só isso... Há sempre a Tequila no final de cada estação. Na falta de Tequila há sempre a Natasha, ótima substituta nestas horas sem fôlego de vida.

Ultimamente, continuo vivendo para dentro, um pra dentro mais externo e igualmente turbulento e agitado. Ultimamente, ah, ultimamente é olhar com as mãos e sentir o aroma com a boca, ultimamente são tato e manha, fadiga e medo.
Ultimamente é momento único, etéreo e banal. Agora deveria ser hora de alguma coisa.

No momento tenho jogado fora um bocado de chances desejadas, no momento estou sendo o outro pouco que sou, quê quis você? Você me quis que eu bem sei, você me quer que eu tô sabendo, e nem adianta fazer aquelas caras e bocas de desdém, nós sabemos que tu me quer.
 Engraçado mesmo é que você não vem buscar o que é teu. Ficar chupando dedo deve ser mais cômodo.
Já disse que admiro atitude? Levanta desse banco e diz na minha cara, tá mais do que na hora, ficar esperando não é atitude que se preze.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Meus, só meus.

A gente ri, a gente chora, segunda-feira a vida externa-padrão reinicia-se. A luz da memória apaga e acende, apaga e acende, as portas do armário abrem e fecham, abrem e fecham.
 A boca dela também abre e fecha, abre e fecha, e eu fico olhando, só olhando.

É que ela é tão intocável que me retém distante e perto, só olho e ouço, às vezes invisto... Mas tudo a longas distrações, longos espaços, tudo ocularmente insensível, informal e ponto. Mas só ocularmente. É que ela é intocável e ninguém é bom o suficiente, na verdade, nem eu. Menos ainda eu.

Olha só o que se passa, crio os meus problemas mesmo quando eles são improváveis, não vivo sem eles, meus problemas, meus, meus, meus, todos meus. Veja bem, estava tudo quase ótimo, aí eu resolvi mudar o curso das coisas, só isso! Adivinha no que deu? Merda. Cor de merda, textura de merda, cheiro de merda, forma de merda, merda pura, puríssima.

E se tudo regressar, já pensou nisso? Serão mais X horas de Z dias, de Y semanas, por N meses. Parabéns, você é a melhor, grandessíssima fazedora-de-merdas!
A boca vai abrir e fechar, ficarei apenas observando e ouvindo, pensativa, maquinando, medindo os prós e os contras, sensacional essa habilidade inata do ser humano, adoro muito tudo isso.
Pensando bem, ela não é tão intocável assim, talvez queira ser, mas não é, muito pelo contrário.

Ainda falta bastante para que tais segundas-feiras recomecem. Amém? Não.



"Será idiota recitar Vinícius de Moraes: 'que seja infinito enquanto dure'. A despedida não é lugar para poesia." (Fabrício Carpinejar - O Amor no Colo)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Franquezas

Estranheza é necessário e fraquezas não são motivo para escárnio. Te falo francamente: não sei dar continuidade. Não sei, nem nunca soube.

Sabe esse sentimento perigoso de desacato e vigarice? Me atacam. Me transformam. Não me pergunte como consigo me olhar no espelho todos os dias. Tento, tento enxergar uma coisa que não é, que está lá no fundo, presa. Todas as manhãs é essa mesma ladainha, olho, procuro, não acho, tento de novo, não resulta em nada, "tente novamente mais tarde, volte sempre".

Estupidez é necessário, demência e sonsice. Sensatez, malícia e manha também.
Outro empecilho: algumas, para não dizer tantas, pessoas têm imã ou dedo podre, que seja. Tem que ver isso daí, problema sério.
Fraquezas todo mundo tem, a diferença mesmo está em como cada um lida com as suas, mas como proceder com quem não lida? Como vou proceder? Fraquezas, para que vos quero... ?


A carne é fraca, a carne é fraca, a mente sabota, o coração transborda. A carne é fraca e fraudulenta.
Fraquezas e franquezas trocaram alianças?
Adoro esse sentimento corrosivo de desacato e vigarice. Preciso urgentemente domá-los.







"Liberdade na vida é ter um Amor para se prender." (Fabrício Carpinejar)

domingo, 21 de novembro de 2010

Vai, criança.

Porque nem sempre a lufada é boa,
porque nem sempre a surpresa é bem vinda,
porque nem sempre sabemos lidar com o que desejamos ou temos.

De dia e de noite, solidão a dois também mata, mas não te perturbes, caso não tenha sido dessa vez, poderá ser numa outra, vai depender da sua vontade. Na verdade, esperar somente por flores e cores soltas é um erro. Mas se isso te agrada, faça-o então, só não diga mais tarde que não avisei.

Não sei o que se passa na mente dessas bilhões de pessoas, sei que passam várias porcarias, idiotices, putarias, preocupações, enfim, coisas e mais coisas, e aí? E se você não tem um ou uns relacionamentos felizes e satisfatórios, vai ficar cismado? Não sei o que se passa na mente dessas bilhões de pessoas. São bilhões de pessoas. Bilhões.

Porque não há fantasma que dure para sempre, nem chuva que jamais deixe de chover,
porque viver também é recordar.

E se você não se deixa subir, alcançar, cair e se estatelar, se reerguer e superar, então faça um grande favor para o mundo, se mata.
"Recordar é viver" não significa que deva se tornar um museu de coisas perdidas e insuperáveis, nem um mausoléu de rancores, apenas aprenda a se conformar e seguir em frente.

Viver também é ignorar para superar, se for preciso.
Viver não é uma coisa bela sempre, só quase.
Vai viver.
Vai subir, alcançar, cair e se estatelar, se reeguer e superar.
Vai viver, criança, para de perturbar.