"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

sábado, 24 de dezembro de 2011

C'est la vie de merde





  Pontos de poeira na parede não me chamam atenção, nem fofocas alheias. Presentes não insuflam meu peito, nem cachorrinhos ainda filhotes. Por que foi que você enfiou nessa sua cabeça dura que essas coisas são assim? Não curto o drama alheio.
  Gosto de torta de limão e de ir ao cinema sozinha, mas também adoro sair acompanhada. Há quem não se interesse por Laranja Mecânica, nem por 1984, mas que se interesse pelo Manifesto Comunista. E eu com o seu juízo de gosto? E eu com as suas caduquices? E eu com o seu desapego?
  Washburn é uma merda. Pagode é música de "estou com dor-de-cotovelo". Igreja é pra quem não tem cérebro. Mediocridade não é comigo. Não aprecio comodismo.
  Vem comigo e seja essa pessoa que você aprisiona dentro de si mesmo. Me beija até que os olhos mudem de cor, me fala breguices, faça breguices. Pode rir de tudo, pode fazer brincadeiras idiotas, pode ser o que for. Só não mente. Só não seja sacana. Só não me engana que não há necessidade disso. Só não me trata como se eu fosse criança. E pode ficar tranquilo que o resto vem sozinho.


"Quero sensações inéditas até o fim dos meus dias..." (Martha Medeiros)


“O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.” (Mario Quintana)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Moço

  Esse ano perdi muitas palavras. Perdi por perder, perdi por achar, perdi por falta delas, por falta do que dizer, perdi pelo susto de surpresas. Vivo perdendo coisas! Vivo me perdendo, inclusive.
  Moço, não estou pedindo a você que me restitua das minhas perdas, mas que me deixe reconquistá-las.



























"- A gente se engana.
- Você se enganou?
- Muito.
- Comigo?
- Pior: comigo." (Camila Costa)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Coisas voadas


  Ano de vestibular e não estudei nada, no fim das contas, seja o que deus quiser. Vou para onde passar, não importa a posição, e amém. Ouço The Strokes todos os dias e me amarro. Também ouço The Smiths, Nirvana e Hole, e viajo no som e nas letras e nas vozes. Sempre que ouço Valerie da Amy Winehouse me lembro de alguém, é inevitável. Todo banho é hora de pensar na vida, mas o que é vida? Hoje em dia ser revolucionário é difícil, hoje em dia estar em qualquer lugar é uma prisão. Hoje em dia é um futuro abortado.
  Pensar em século XXI me lembra Capitalismo sanguinário. Pensar em século XX me lembra Guerras Mundiais. Pensar em século XIX me lembra República Oligárquica. Pensar em século XVIII me lembra Revolução Francesa. Pensar em século XVII me lembra Revolução Gloriosa. Pensar em século XVI me lembra Ato de Supremacia. E etc...
  É uma banalidade tão estúpida que chega a me comover. Nasce, cresce, reproduz e morre. E vive? Não sou cult e foda-se. Nunca ganhei estrela dourada na sala de aula, nem o chapéu do burro. Sempre liguei para os estudos, mas nunca me esforcei tanto. Vê-se os reflexos atualmente. Fico nervosa e esqueço tudo o que sei. Meu nome? Que diferença faz? Um dia voltaremos a comunicarmo-nos por ruídos e outros sons grotescos. Teu nome? Gosto de nomes, mas não fazem diferença.
  Hoje é quarta-feira, 2 de novembro de 2011, feriado no meio da semana é sempre tão cara de domingo... Sou estranha e gosto muito de coisas simples, mas isso não é uma regra, e mesmo que fosse, toda regra tem sua exceção, e mais: todas as regras foram feitas para serem quebradas. Não ligo pra religião, futebol e idade, são coisas idiotas e descartáveis. Também não ligo se você utiliza algum docinho ilícito (maconha, MDMA, cogumelos, LSD, DMT, metanfetamina, anfetamina, etc.) para relaxar, é idiota ligar, não que eu queira conviver com viciados. Aliás, ligo se for viciado e usar coisas mais pesadas (tipo crack, cocaína, etc.). Não ligo se você é hétero ou curioso. Mas ligo se for indeciso. Pra falar a verdade, ligar ou não ligar não faz diferença também.
  Hoje está frio, mas quem sabe como estará amanhã? Seu nome vive na minha boca e meus lábios estão ressecados. Gosto de vermelho, mas enjoei dessa cor no meu cabelo. Ainda assim, gostaria de ter uma ruiva agora. Mesmo assim, preferia ter você a qualquer outra pessoa. Se eu for pra Dourados, se eu for pra Pelotas, se eu sumir, se eu nunca mais der notícias, não deixe de me amar.
Não me divirto, não me interesso por outras coisas, as novidades são velhas, rir cansa. Só uma coisa tem me interessado, e não é sexo. É essa droga de vestibular me envelhecendo precocemente.
  Foda-se Simón Bolívar. Foda-se Rosseau. Foda-se Napoleão. Foda-se Jean-Baptiste Colbert. Foda-se Henrique VIII. Foda-se Hitler. Foda-se Mussolini. Foda-se Anne Boleyn. Foda-se D. Pedro I. Foda-se Mendel. Foda-se Bush. Foda-se Obama. Foda-se o Lula. Dane-se o mouro, o cristão, o católico, o judeu, o ateu, o espírita, o budista. Dane-se o preto, o branco, o mulato, até o cor-de-papel (lê-se: pardo). Dane-se o rico, o pobre, o burguês, o maconheiro, o favelado, o nerd, o poser... Dane-se o popular e o desconhecido. Não importa. Nada disso importa. Apenas uma coisa importa e para ela não dão a mínima. E não estou falando (pela milésima vez) de amor.
  E se o IDH for baixo demais, sempre haverá a África para consolo. Não que isso seja bonito ou digno. E se metade da população for analfabeta e miserável, sempre haverá um governo bonzinho o bastante para se preocupar com isso e dar conta do recado. E se Ditadura for a solução, sempre haverá Marte, Júpiter e outros. E se você ainda não for louco, ainda há tempo para se curar. E se estiver entediado e quiser tomar um porre, me ligue!
  Pensando bem... Não precisa nem ligar, apareça de uma vez. Pessoas que ligam e marcam, invariavelmente, furam o compromisso. E mesmo que não seja esse o caso, não ligue, simplesmente surja. Gosto de surpresas. E por favor, não seja do tipo de pessoa com incontáveis restrições, esteja apta a todo e qualquer tipo de loucura, das mais às menos bocós. Fale o que vier à cabeça, faça o que der na veneta. Siga seus instintos. Flua naturalmente. Isso importa.


"Stop
A vida parou
Ou foi o automóvel?"
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 1 de outubro de 2011

Amor não é qualquer porcaria



  Não sei o motivo, não sei de nada. É por que eu tô ficando velha? Mas tenho nem 30 anos... Só sei que a minha vida parou, não durmo mais, não estudo mais, é raro eu ler alguma coisa, também não saio... Só faço ficar aqui, parada nessa sala, sentada nesse sofá. Não sei o que é isso. Pode ser tédio, vazio, desinteresse, preguiça... Vazio? Não, vazio não. Mas estou atenta. Atenta às sensações. Sei que não estou sentindo nada, absolutamente nada. Então por que eu sinto como se alguma coisa estivesse errada, do avesso?
  Não, eu não estou sentindo nada, nem vazio, nem como se alguma coisa estivesse errada, nem essa dor. Menos ainda essa última. Viver é só isso? Não. E isso também não é o Amor. Isso é o ENEM se aproximando, isso sim, estão explicadas a inércia, a insônia, a indiferença, o desinteresse pelas novidades.

  Vou falar do Amor (ó, novidade!). O que é o Amor? O que essa ínfima palavra costuma significar? Como é possível expressar tal sentimento tão grandioso por intermédio de uma única palavra tão pequena, composta por apenas quatro letras? É possível expressá-lo todo em apenas uma palavrinha sem que se pratique ação alguma? Falar de Amor cansa. Falar de Amor arde.
  Vou tentar contar não o que é o Amor, mas a minha visão de como ele é. Para mim, em toda a minha ignorância, o Amor (escrito assim mesmo, o "A" em caixa alta) não é uma coisa simples, não tem como encomendá-lo numa loja, pagar com um cartão de crédito, ou amarrar uma fita. Para mim o Amor pode ser cultivado, pode florescer, pode crescer... Opa, "peraí", mas afirmar que ele pode crescer seria afirmar que ele também pode decrescer (como toda a lei vigente...), tal qual afirmar que ele pode florescer, afirmando isso afirmaria que ele pode desflorecer, morrer, murchar... Sendo que em minha concepção o Amor não termina, posto que há apenas uma explicação ao terminar: nunca existiu, e assim é afirmado que ele não pode nascer e crescer. Mas então se o Amor pode ser cultivado, mas não pode nascer e crescer, ele não existe (...!), dizer isso seria dizer que a abiogênese (que significa: não origem biológica; estudo sobre a origem da vida a partir de matéria não viva) é verídica! Mas se for pensar por esse ângulo, seria preciso admitir que o Amor pode ser tratado como uma parte do corpo humano, que pode ser podado, curado... Seria necessário admití-lo como questão biológica, e também o caso das sexualidades (que também não é questão de cura, de tratamento químico, amputação, ou sei lá o que), não existe essa coisa de "virar" homossexual, "virar" hétero, ou é, ou não é. Mas dessa forma seria necessário admitir que uma pessoa que gosta de determinada coisa não pode simplesmente acordar num belo dia de primavera e ter vontade de experimentar algo "novo" e saciar esse desejo e gostar e continuar com a vida dessa forma. Ou seja, seria preciso admitir milhares de outras milhões de coisas e isso não teria fim, já que é um ciclo de (novamente, milhares de outras milhões de coisas) sei lá quantas redes, seria preciso, além de entrar no campo da ciência, da biologia, entrar no campo da filosofia, enfim! Concluindo (...), seria, antes de tudo, necessariamente preciso admitir que o ser humano é incapaz de evoluir, de mudar, de se estender. O que não é verdade. Essa é, digamos, a base da vida do ser humano: evoluir. Tudo o que conhecemos provém de uma (ou umas) "evolução". A ideia de algo maravilhoso e desejado que não pode nascer e/ou crescer, e portanto não pode diminuir e/ou morrer - ou seja, essa coisa é pronta, sempre esteve presente, viva -, essa ideia de Amor que preexiste é realmente linda, muito romântica, logo (e isso faço contrariadamente), não existe, é uma ideia puramente fantasiada, justamente pela sua beleza, pelo seu romantismo. Eu gostaria muito de poder crer que o Amor está lá, sempre vivo, onipresente, imponente, que ele é imortal, que ele é infindável, mas não gosto mais ainda do fato de que dessa forma estaria pensando numa coisa tão bela como sendo nada mais que um congelado, que vem pronto "ah, é só pôr no microondas por cinco minutos e tá pronto!", não, isso é inadmissível. Eu gostaria muito de continuar crendo que o Amor não tem começo e fim, mas acabei de convencer a mim mesma que sim, ele tem começo e tem fim, e ótimo, melhor ainda, agora posso pensar no Amor como na própria vida, tem uma duração, é feito pra acabar, isso quer dizer que cada minuto de Amor é precioso pra caralho e não pode ser disperdiçado nunca - bem, pelo menos para mim. Tudo o que tem uma validade é precioso, pessoas que têm o tempo de vida contado, num geral (...), vivem, diga-se de passagem, melhor, de maneira mais intensa, que o Amor seja assim também. Então voltemos: para mim o Amor pode ser cultivado, pode nascer e pode crescer (e aqui admito todas as vertentes que já citei). Para mim o Amor é construido detalhadamente, mas não apenas dessa forma, Amor é um quebra-cabeça, beleza, mas não é só isso. Para mim Amor não é coisa calma que entra pela porta da frente e senta no sofá como se fosse visita nova, envergonhada, não, pra mim Amor é coisa louca, avassaladora, não é coisa de domingo, é coisa pra-todo-dia, caso contrário não seria Amor, seria apenas mais outro sentimento qualquer. Para mim Amor não é coisa pouca, é enorme e enlouquecedor, Amor não é como um sapato que se não tem a cor que você queria "ah, fico com esse mesmo", puta que pariu, né!? Amor não são raspas e restos, e se não for único, que sejam muitos, que sejam tantos que se perca a conta deles! Para mim é válido morrer tentando, é válido morrer experimentando estes e aqueles Amores bárbaros, arrasadores, ingênuos, virgens, tolos, inteligentes, sensuais. Para mim Amor não pode ser coisa simples, sentimento nenhum é simples, muito menos o Amor. Pessoas também não são simples, ou fáceis, nem relacionamentos. Uma das maiores besteiras de todos os tempos é querer imbuir a ideia de que Amor é simples, é fácil, é isso e aquilo, é assim e assado, que Amor é como fazer compras no supermercado "pode pesar direto no caixa". Amor não é coisa fácil, é coisa complexa.
  Para mim o Amor é tanta coisa que não cabe aqui. Amor é fadado, é que nem flor, floresce, cresce, reproduz (ou não) e morre, e é necessário regar e dar muito carinho e atenção todo o tempo, senão não cresce, não reproduz, morre prematuro. Amor não pode ir sozinho, não é que nem quando você escolhe algo de um cardápio e na pressa acaba indo qualquer coisa sem acompanhamento: Amor exige ação. Só Amor não há santo que aguente, amar e ficar deitado na rede é muito fácil, falar é muito fácil, fazer é que são outros quinhentos.
  Amor é lindo e dá trabalho, muito trabalho, Amor não é para os fracos. Só ama quem é forte e tem disposição. Pessoas que não são fortes, nem têm disposição deveriam andar com uma placa frente-e-verso (e com neon, de preferência) bem grande pendurada no pescoço.



"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo." (Mário Quintana)

domingo, 18 de setembro de 2011

Não fossem as mudanças...



  Não  fossem as perdas, não sei o que seria de mim. Não fosse a desilusão, não sei o que seria dos outros. Gosto que o tempo passe, não é como eu, ele nunca pára - sob hipótese alguma. Não gosto desse vazio, que na verdade nem sei se é de fato vazio, sei que não é nem alegria, nem tristeza, afora isso não sei de mais nada. Saberia, não fosse o auto-retardamento... Não fossem as perdas, não sei o que seria das lições. Não fosse a calma, não sei o que seria o desespero, mas sobre calma sei mais teoria do que qualquer outra coisa, aliás, conheço o que é desespero de cor, portanto, imagino o que seja a calma.
  Por mim isso não teria perdurado tanto, tempo é coisa preciosíssima. Por mim muitas coisas seriam outras coisas. Por mim... Mas vergonha alheia não dá em todo mundo. Por mim ninguém seria obrigado a estudar exatas no colégio. Por mim coisas supostamente desimportantes não são de se jogar fora.
  Todo o dia sacudo a poeira da minha vida e rebolo aqueles bambolês de impropérios que sequer sei de onde vêm. Todo o dia merece ações distintas, mas nem sempre é possível, nem sempre é suportável. Nunca gostei de bambolês. Meus quadris nunca simpatizaram com eles e vice-versa.
  Há perdas-pra-todo-o-dia, há perdas até que se perca a conta delas, perder é inevitável. Encontrar também. Se encontrar idem. Força de vontade pra procurar é outra coisa. Estar disposto a se esfalfar procurando é outra coisa mais diferente ainda. Não fossem as perdas... Não fossem a força de vontade e menos ainda a disposição pra se perder procurando... É preguiça de viver. É obliteração proposital da vida.
  Sei que há caminhos mais fáceis - e alguns fáceis até demais -, e por isso não me agradam. E por isso somos tão incompatíveis, e por isso te deixo uma vaga lembrança de amor verdadeiro, e por isso me tiro indiscutivelmente desse antro de poucas ações, de poucas novidades, de calmaria inviável.
  Mudar, a única coisa da qual não abro mão. E você, você mesma, que pensava que a minha liberdade era tudo, sempre esteve claramente enganada. Não sei o que seria de mim se não fossem as mudanças, eternas e divinas mudanças, invioláveis. Mas por outro lado sempre esteve completamente certa - pelo visto, por motivos equívocos -, ao usar borboletas como referência: a metamorfose é inevitável.


“Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta.” (Caio Fernando Abreu)
"Sabe, quando a gente está com medo de entrar num quarto escuro, a melhor coisa a fazer é entrar de repente, sem pensar. Não adianta nada ficar do lado de fora, vendo fantasmas, imaginando coisas que não existem. Melhor entrar de uma vez." (Caio Fernando Abreu)
"Que eu possa tomar banho de cachoeira. Que eu seja a vontade de rir. Que eu possa chorar ao assistir filmes. Que transforme a raiva em vontade de me entender. Que eu possa soltar os vaga-lumes que prendi em potes. Que eu me lembre de ser feliz enquanto ainda estou vivo." (Carpinejar)
"De algum modo, sentia que estava ficando meio maluco. Mas sempre me sentia assim. De qualquer forma a insanidade é relativa. Quem estabelece a norma?" (Charles Bukowski)

domingo, 11 de setembro de 2011

Para uma péssima pessimista, até que não sou má otimista


  Os outros, os que não me conhecem, devem pensar que sou pessimista, e até os que me conhecem. Aliás, me acho pessimista, mas na verdade penso que sou realista, isso sim. E mais na verdade ainda, vejo muito do lado bom de tudo - talvez numa tentativa desesperada de não entregar jogo algum -, mas essa parte costumo guardar só pra mim, é tão boa que não gosto de compartilhar.
  Sempre que leio algo sobre as características do meu signo (sagitário) está lá aquela mosca irritante que zumbe "otimista", e não concordo nunca. Mas vou admitir pela primeira vez que sou otimista, sim, sou muito otimista, e se não falo nada, ou se falo o oposto, muitas das vezes estou torcendo - internamente - febrilmente em favor de.

sábado, 13 de agosto de 2011

Nos fez demente

Fiz uma viagem de dias contados
Uma viagem-miragem,
Senti dores, senti sonhos e tremores
Tremores acalentados e exasperados

Uns engoli, outros cuspi
Nessa viagem-miragem dessenti o que era inverdade
E vi "Ana-e-o-mar"
E te vi e te senti

Fiz uma viagem de dias contados
E voltei com impressões expressas
De que valem promessas?

Fiz uma viagem de dias contados
E você não estava lá... E você estava lá,
Cheiros e luzes abafados
Tantos sonhos desengavetados

Não faça de suas tripas órgão retumbante
Tampouco do meu órgão retumbante tripas e farrapos
Venha tão você quanto antes
Venha aos sapos

Porque nessa viagem-miragem confirmei
Aquele impasse indecente
Que mais outro dia nos fez demente


"Porque amor é urgência…" (Fabrício Carpinejar)

"Não sou de guardar muita coisa
das que guardo,
tudo tem amor pelo meio.
"
(Vanessa Leonardi)

"Abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dele, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos." (Caio Fernando Abreu)

"E penso, e repenso, e trepenso em você." (Caio Fernando Abreu) 




























































































































domingo, 17 de julho de 2011

Só uma coisa

  Estou mais vazia de ideias do que um coco.
  Só uma coisa: conformismo é uma foda, quem vive por conformismo não tem dignidade.



segunda-feira, 6 de junho de 2011

Entra


   Me assalta uma ideia quente. Não uma ideia, mas uma sensação. Não uma massa negra, mas branca, muito branca, pesada, densa. E quente. Me agarra e destroça.
   Desejo imensamente entrar fundo. Entrar firme no âmago da sua existência. Desejo tomar posse de tudo o que é teu e te entregar tudo o que antes era só meu.
   Não sei descrever, sei que é quente, quente e branca. Também não sei se é certo. O certo é uma coisa muito íntima, muito de cada um... Mas teu lixo é meu tesouro. Queria que meu lixo também fosse tesouro teu. Mas isso ninguém nunca me prometeu.
   E sinto falta. Sinto muita, mas muita falta dessa intimidade sincera e bonita. Sinto mesmo. Você é bonita, e me conhece um pouco... Um pouco? Lê o resto, talvez cê me conheça um pouco mais. Talvez... Mas vai que cê já conhece, né? Mas vale a pena ler mesmo assim, penso eu.
   Entra em mim também e me diz como é. Me diz como é estar aqui dentro e não destruir nada, só plantar e colher suspiros... Não quero causar nenhuma destruição em você também. Não, não mesmo. Na verdade, até quero, mas é uma "destruiçãozinha" tão boa, mas tão boa, que você vai querer mais, penso eu. Deixo você me destruir assim também, mas só assim, só uma "destruiçãozinha" gostosinha, e me deixar como quem pensa... Ah, deixa pra lá.


   “Você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo. (Tati Bernardi)


  "E eu queria poder te dizer sem palavras;
eu queria poder te cantar sem canções;
eu queria viver morrendo em sua teia,
seu sangue correndo em minhas veias, 
seu cheiro morando em meus pulmões."
(Esperando aviões - Vander Lee)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

UERJ e outras inutilidades



  Eu não deveria estar aqui escrevendo, primeiro de tudo porque é ano de vestibular e segundo porque uma das tantas provas que farei é dia 12 de junho (prova da UERJ), pois é, logo no Dia dos Namorados. Mas então, como eu ia dizendo, eu não deveria estar aqui escrevendo, até porque já passa de meia noite e, adivinha, estarei levantando daqui a cinco horas para me arrumar para ir ao colégio. E devo dizer, como este texto está monótono, sem graça, sem sal, enfim... Sabe, meu objetivo de texto não era nada semelhante a esse, na verdade era bem diferente, só que a minha cabeça está tão bombardeada, sério, sinto como se tivesse algum país do Oriente Médio e (vamos lá) os EUA em guerra dentro dela.
  Sei lá, esse ano eu deveria estar estudando loucamente (e põe loucamente nisso), mas não consigo, antes eu até estava, mas agora não consigo, que preguiça, que sono, que frio. Ah, que tédio! Estudar pra que? Pra prova da UERJ? Que mané UERJ, eu não quero UERJ, eu quero mais é que a UERJ se exploda. Que se foda a UERJ, sério, maldita UERJ! Sem contar que só farei a prova da UERJ porque a minha mãe me passou a maior conversa. Mamãe, o dinheiro pra inscrição da UERJ vai todo pro lixo, foi mal! Já estou vendo um C, senão um D bem grande nessa prova. Pois é... Triste, não? Quarenta e cinco reais no lixo, droga, eu poderia ter comprado um monte de livros com esse dinheiro. Realmente uma pena. Outra pena é eu ter escrito o nome dessa universidade merda oito vezes (num único parágrafo ainda por cima). Ah, é, ela ainda dá um bom caldo no curso de Direito, gente, um dos melhores do Rio de Janeiro (ou seria do Brasil? Sei lá!). Foi mal sociedade, mas lembrei a tempo de divulgar!
  As únicas provas que me importam são todas excetuando a da UERJ. Tá legal, nem tanto. Na verdade é bem menos que isso. Na verdade, as outras provas são só pra encher linguiça, aliás, mais na verdade ainda, elas são só pra disfarçar a minha insegurança. Ou seria acalmar? Não? Também não sei. Só sei que ando perdendo muito tempo estudando para as minhas não-específicas, e a gramática que eu tanto desprezo? Calma, ainda tenho tempo. Eu acho. Acho. Porra, calma.


  Sério, eu realmente não queria inserir esse assunto em mais outro espaço da minha vida, mas ele é tão filho da puta que não se contenta e sai invadindo tudo, já tomou conta do meu inglês, da minha mãe, da minha alegria (escassa, mas minha), dos meus amigos e até da minha namorada (sacanagem). E agora entrou aqui. Como eu corto esse mal? Enfim, prosseguindo, primeiro eu pretendia falar de solidão, não de "Cem anos de solidão(Cien Años de Soledad, no título original, do escritor e jornalista, e também editor e ativista político, colombiano Gabriel García Márquez), depois eu pensei em falar sobre uma coisa que li num outro blog, mas pensei cá com os meus botões "pra quê?". Pra quê? Pra desencadear outra merda de Guerra Fria? Pra arranjar mais sarna pra perder tempo coçando? Pra causar mais desprezo? Pra que perder meu precioso tempo com essa coisa inútil, idiota, despretensiosa, descartável e ignominiosa (confesso que há meses tento usar essa palavra "ignominiosa" mas não conseguia pretexto)? Pois é, para quê? E pra que me descabelar pela UERJ se ela é outra que não vale nada e ainda pode foder com o raio da minha bela vida bela? Digo foder, mas nesse caso não chega a tanto.

  Aliás, é que nem um anúncio muito velho e a um texto da escritora e jornalista (também blogueira e estudante de Filosofia) Liliane Prata que dizia: "Está na dúvida se casa ou se compra uma bicicleta?". Eu não vi o anúncio, pelo menos não que eu lembre, mas li (milhões de vezes) o texto que a Liliane escreveu sobre o mesmo. Continuando, o que eu quis dizer é que uma hora estou falando de UERJ e adjacências e na outra estou falando de coisas completamente diferentes, tipo o anúncio sobre ficar em dúvida entre casar ou comprar uma bicicleta. Mas, poxa, o que seria da vida se levássemos tudo tão a sério, não é mesmo? Por exemplo a coisa que eu li num outro blog e percebi que devo (e vou!) cagar para aquilo. Há coisas feitas especialmente para serem desprezadas, dispensadas e detestadas.
  Elas simplesmente não são.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Amor(tecedores)



Sabia que penso demais e isso me confunde mais do que ajuda? Sabia que andei querendo me perder e estragar tudo? Sabia que muitas coisas me revoltam e muitas outras me encantam? Sabia que sonho muito acordada? Sabia que daqueles três meses só no meio do segundo que eu juntei coragem o suficiente pra tirar o envelope de cima da mesa? Sabia que eu tinha a pretensão de jogá-lo fora mas que a coragem foi suficiente apenas para transportá-lo da mesa para o guarda-roupa? Sabia que me martirizo muito por uma das coisas que fiz nesse período? Sabia que é muito sabia pra pouca pessoa? Sabia que espero estar com você daqui a cinco anos? E feliz? Muito muito muito feliz? Infinitamente feliz? E continuar com você por mais dez, quinze, vinte anos? Aliás, sabia que vou ficar com você para sempre? E te amar com todo o Amor do meu mundo? Sabia que não é verdade essa coisa de "o que os olhos não vêem o coração não sente"? Sabia que adoro fazer perguntas e que 60% não fazem sentido e que os outros 30% têm duplo sentido? Sabia que isso que eu acabei de dizer é uma meia-verdade? Sabia que tenho ciúmes até do ar que você respira? E das roupas que te tocam? E do céu que te contempla todos os dias? Sabia que isso é bobo, porém, verdade? Sabia que isso está semelhante ao que andei escrevendo nesse fim de semana? Sabia que, além de tudo, isso está melosíssimo? Sabia que existem nesse mundo tecedores de Amor? Isso faz algum sentido?

sábado, 7 de maio de 2011

GENTE!!

"Cartas de amor - Rubem Alves



Leio e releio o poema de Álvaro de Campos. Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. Se acredito, duvido. Duvido, porque acredito. Pois foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. “Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas...”

Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço, “A mulher que lê”, Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram, a boca ligeiramente entreaberta, quase num sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da cadeira, ao seu lado. Lê de pé. Penso ser capaz de reconstruir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do seu nome, no envelope, ela identifica o remetente. Ela toma a carta e, com esse gesto, toca uma mão muito distante. Para isso se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias, não para contar nada, não para repetir as coisas mais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel. Barthes cita estas palavras de Goethe: “Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque, na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos querida receberão este papel...”

Volto ao Álvaro de Campos. Será esta a razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas realmente querem dizer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isso que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente querem realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora do lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente. Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala pelo desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro.

Aquela carta fez tudo parar. A mulher fecha a porta e caminha pela casa sem nada ver, buscando uma coisa apenas, a luz, o lugar onde as palavras ficarão luminosas. Que lhe importa a cadeira? Esqueceu-se de que está grávida. Seus olhos caminham pelas palavras que saíram das mesmas mãos que a abraçaram. Seu corpo está suspenso naquele momento mágico de carinho impossível que aquele pequeno pedaço de papel abriu no tempo do seu cotidiano.

Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões . A mulher está só. Se há outras pessoas na sala, ela as deixou. Bem pode ser que as coisas que estão nela escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas, para que a carta seja de amor, ela tem que ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo: “Escrevo para que fique sozinha...” É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade. Pois, foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é o objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono.

Olho para o céu. Vejo a Alfa Centauro. Os astrônomos me dizem que a estrela que vejo agora é a estrela que se foi, há dois anos atrás. Pois foi este o tempo que a sua luz levou para chegar até meus olhos. O que eu vejo não mais existe. E será inútil que eu pergunte: “Como será ela agora? Existirá a dois anos, quando a sua luz chegar até mim”. A sua luz estará sempre atrasada. Vejo aquilo que já se foi... Nisto as cartas de amor parecem com as estrelas. A carta que a mulher tem nas mãos, que marca seu momento de solidão, pertence a um momento que não existe mais. Ela nada diz sobre o presente do amante distante. Daí a sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que ainda não existe. A carta de amor é um abraçar no vazio...

“Ainda bem que o telefone existe”, retrucarão os namorados modernos, que não mais têm que viver o amor no espaço das ausências. Engano. Um telefonema não é uma carta falada. Pois lhe falta o essencial: o silêncio da solidão, a calma da caneta pousada sobre a mesa que espera e escolhe pensamentos e palavras. O telefone põe a solidão a perder. Num telefonema a gente nunca diz aquilo que diria numa carta. Por exemplo: “Eu ia andando pela rua quando, de repente, vi um ipê-rosa florido que me fez lembrar aquela vez...” Ou: “Relendo os poemas de Neruda encontrei este que, você gostará de ler...”

A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo, a conversa tem que acontecer naquele momento. Falta-lhe o ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias.

Mas a mulher tem nas mãos a carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na deliciosa espera do momento oportuno. O telefonema não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser relida. Ou simplesmente acariciada. Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é mais que uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível...

Estes pensamentos me vieram depois de ler as cartas de um jovem cientista, Albert Einstein, à sua amada, Mileva Maric. Foram elas que me fizeram ir ao poema de Álvaro de Campos: ridículas. Todas as cartas de amor são ridículas. Acho que os editores pensaram o mesmo. E como desculpa para o seu gesto indiscreto de tornar público o ridículo que era segredo de dois amantes, escreveram uma longa e erudita introdução que transformou as ridículas cartas de amor em documentos da história da ciência. Valem porque, misturadas ao ridículo de que os amantes se alimentam, se encontram pistas que dão aos historiadores as chaves para a compreensão das “fontes do desenvolvimento emocional e intelectual dos correspondentes”. Não sabendo o que fazer com o amor (ridículo), colocaram-nas na arqueologia da ciência.

Foi então que o quadro de Vermeer me fez ver a cena que as cartas de amor escondem. E a mulher com a carta na mão e uma criança na barriga? Ela bem que podia ser Mileva, grávida de uma filha ilegítima, que foi dada para adoção, e sobre quem nada se sabe. A criança foi dada. Mas as cartas foram guardadas. E que razões poderia ter uma pessoa para guardar cartas ridículas? O seu rosto absorto e os lábios entreabertos nos dão a resposta: para aqueles que amam as ridículas cartas de amor são sempre sublimes.

Volto ao poema de Álvaro de Campos e encontro lá o que faltava para fechar a cena:

Afinal,
só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor
são ridículas."





quinta-feira, 21 de abril de 2011

Nosso partido é um coração partido

Tenho um casal (ou não, né) de amigos que tem passado por uns problemas de interação, aceitação e até de etapas (!). Sim, etapas. Vou explicar: um ama de mais e o outro ama de menos. Amar de mais? Amar de menos? Como assim, né!? Então, um deles, o garoto G, ama o garoto J, no entanto, o garoto J não corresponde aos sentimentos do garoto G no mesmo grau e tem medo disso, pois ele queria amá-lo na mesma intensidade, mas não ama, e com base nesse motivo ele, o garoto J, resolveu terminar o que estava para ter com o garoto G. O garoto G ficou arrasado. Mas esse não é o "problema de etapas" ao qual fiz referência no início, eis que: o garoto J queria muito sair entrando numa relação séria e ser amado e amar intensamente; e o garoto G queria muito ter essa oportunidade com o garoto J, mesmo que esse não o correspondesse totalmente (e nem meio totalmente, o que é lastimável, devo dizer); resumindo, ambos estavam errados logo de cara. Um querendo atropelar todo um processo incrivelmente cansativo e lindo e o outro tendo zero Amor-próprio.
Mas não sejamos hipócritas, né! Não sejamos falsos-moralistas, por favor! Chega de falso-moralismo nessa vida, chega de propaganda enganosa, chega de mentira, chega de fingimento, chega de enrolar, chega de bancar o otário, chega de se humilhar, chega de ser capacho, chega de ter sangue de barata, chega de ser futurista. Não serei hipócrita, assumo meus momentos de zero Amor-próprio, já tive muitos. E sei como é se forçar a seguir em frente, se convencer do esquecimento pleno. Sem mais.


"O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver


Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu


O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa


Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa


Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu


O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa"
(O Nosso Amor a Gente Inventa - Cazuza)

"Viagens tão óbvias
Loucuras tão sóbrias"
(Blues do Iniciante - Cazuza)

domingo, 3 de abril de 2011

Enxergar

Não preciso comentar sobre os bocados, né? Pra quê!?
Mas tem uma coisa que me aconteceu em especial. Não, eu não conheci ninguém, nem me amarrei em alguém... Enfim, eu estava chegando em casa, depois do colégio, e ainda dentro do ônibus, antes de ele dobrar mais outra esquina eu olhei para a parte de cima de um morro verde, e sabe que eu vi algo que eu jamais tinha parado pra prestar atenção!? E olha que eu moro aqui na Taquara há quase quatro anos. Então, eu não vi algo realmente extraordinário ou inacreditável, apenas uma antiguíssima casa de engenho, provavelmente abandonada, pois ela está com uma aparência horrível.
Depois que soltei do ônibus fiquei pensando nisso (de novo), nessas coisas que estão bem na nossa frente e a gente nunca vê, nunca dá a devida atenção. E quando dá já não faz a menor diferença.

É questão de olhar e enxergar, nada mais. Eu só precisava olhar pra frente.

Cheguei em casa, tomei banho e fui assistir a um filme que uma amiga me emprestou, "A cor púrpura". E por incrível, ou por mais idiota que pareça, esse filme só ressaltou o episódio que passei mais cedo. Quantas vezes mais vou ter que repetir que a vida é irônica e adora pregar peças?






"Tudo no mundo quer ser amado. A gente canta e dança e grita porque quer ser amada. Olhe as árvores. Elas fazem tudo o que a gente faz para chamar a atenção, menos andar."
(The Color Purple)

domingo, 27 de março de 2011

Untitled

   Hoje eu ouvi de uma pessoa que ela talvez me ame também. Ontem ouvi essa mesma coisa de uma outra pessoa completamente diferente e deu no que deu. E dá no que dá.
   Sabe, eu tô cansada. Vou me esconder de mim mesma, porque eu sou a única culpada por tudo isso.
   Ninguém sabe o que é essa palvra. A-m-a-r.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mal me quer, bem te quer


Sou covarde e retrocedo quando devia continuar em frente, é verdade, você sabe disso, já é a segunda vez. Arrebentei as suas asas de propósito só para que você não pudesse voar junto a mim, só para que você não tivesse o desgosto ainda maior de subir e subir e cair feio, aquela velha estória de "quanto mais alto pior a queda". Mas é claro que não foi apenas pensando no seu bem estar que podei as suas asas, foi pensando no meu e no de terceiros... Eu te avisei, mas você continuou insistindo em voar comigo. E o que eu fiz? Te fiz flutuar uns poucos metros e soltei, maldade minha, eu sei. Me sinto péssima por estragar os seus sonhos de se ver livre dessa terra semi-árida e improdutiva, de se ver livre dela voando comigo para algum lugar nos céus, bem entre as nuvens, num paraíso que não pôde existir porque eu apedrejei tudo o que lhe dizia respeito. Mas não vou pedir desculpas, nem que me perdoe, não hoje, nem amanhã, mas um dia hei de fazê-lo. Então, depois de cortar as suas lindas asinhas e despedaçar os seus belos sonhos, quis reparar o irreparável, senti que podia, senti que estava sentindo certo, e talvez esteja, e o que eu fiz dessa vez? Não quis arrancar novamente as suas asas como se fossem pétalas, cantando "bem me quer, mal me quer...", então deixei que você voasse com alguém melhor, menos fraco...
Deixo você livre pra voar pra onde quiser, com quem quiser, quando quiser, só me promete que não vai deixar que cortem as suas asas novamente, só promete que não vai ficar como eu, lendo e relendo reminiscências e chorando o leite derramado, lendo nessas páginas as marcas do que foi desejado e não cumprido e chorando mais ainda. Enfim. Pode voar pra bem longe de mim, se quiser, porque olha, pior não pode ficar.



"Não fazemos o que queremos e, no entanto, somos responsáveis pelo que somos: eis a verdade." (Jean-Paul Sartre)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Relacionamentos que não dão certo e o por quê de continuar se apegando

   A partir de, sei lá, agosto do ano passado, eu e uma amiga sempre passávamos as horas de 9:15 às 10:30 (por vezes até mais do que isso) das nossas manhãs de quartas-feiras conversando, falávamos sobre diversas coisas (geralmente eu monologava persistente, mas ok), até que (fazer o quê!?) ela começou a namorar com um tal de Felipe. E, adivinha, as nossas conversas passaram a girar em torno da relação estranha deles (ok, não todas, mas enfim). Até aí, tudo bem, o problema mesmo começou quando o namoro deles deixou de ser um "mar de rosas" (não que em algum momento qualquer tenha de fato sido um "mar de rosas", mas, continuando), daí ela reclamava que ele não conversava com ela, e blablablá... Logo depois ela mudou a conversa para outro plano, "Meus Relacionamentos Passados e suas Crônicas", nesse plano ela contou como eram os garotos com os quais ela havia se relacionado anteriormente, um pouco de como eles costumavam agir, e, é claro, a parte crucial, o fato supremo de que os relacionamentos dela nunca, jamais, em hipótese alguma davam certo.
   E eu lembrei muito disso tudo o que nós conversamos quando tomei um belíssimo chute no rabo há alguns meses. E lembrei de novo nessa madrugada, porque alguém (que eu não vou citar) está sentindo falta de uma amizade perdida, e toda essa melação. Mas eu não quero ficar falando sobre os relacionamentos afetivos alheios. O drama é que essa mesma pessoa que perdeu uma otimíssima amizade (e está a ponto de arrancar os pentelhos um a um com os dentes por causa disso) fez algumas perguntas bem clichês, do tipo que todo romântico e abobalhado sofredor faria, como "não consigo aceitar que as pessoas vão embora, por que não consigo esquecer?", "Pra quê nos apegamos às pessoas se corremos o risco de perdê-las?", e assim me fez pensar um pouco mais sobre essas coisas que fazemos, mas que, tão obviamente não vão durar, ou dar em lugar algum, ou até mesmo que vão dar em algum lugar, mas que depois precisaremos fazer tudo outra vez, ou sei lá o que, sabe, coisas como tomar banho, acordar, pentear o cabelo, estudar... "Pra quê tomar banho se vai se sujar?", "Pra quê acordar e arrumar a cama se mais tarde você vai dormir e terá de fazer tudo novamente?", "Pra quê pentear o cabelo se ele vai embaraçar?", "Pra quê estudar se vai morrer?", essas coisas óbvias que todo ser humano (ou quase todo) faz.
   A verdade é que eu fiquei com a última pergunta (com e sem todo o sentido) dela na cabeça "Pra quê nos apegamos às pessoas se corremos o risco de perdê-las?". Pra quê? Pra quê raios eu saio de casa todo o santo dia, de segunda à sábado, para ir ao colégio (moro na Taquara e estudo no Colégio Pedro II de São Cristóvão) estudar se um dia eu vou morrer? Qual o propósito de estudar, passar para uma boa universidade, se formar, arranjar um emprego, conquistar coisas como um posto alto com um puta salário, casa, carro, constituir família e tudo o mais? Não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas que vivemos nos fazendo nem para a que Renato Russo fez na música "Pais e Filhos": por que que o céu é azul?
   Mesmo não sabendo resposta alguma para essas perguntas insistentes e sem pé nem cabeça, e por vezes sem fim me fazendo as mesmas perguntas, não vejo lógica em parar de viver por causa dessas coisas. Tá que seu namorado é um mané sem atitude, e que você teve tantos outros relacionamentos antes desse e que nenhum deles foram assim tão mais excitantes e felizes, mas e daí, vai parar de viver por causa disso, por causa dessa merda que vai acontecer ao longo de toda a sua vida? Tá bom que a sua amiga tão querida parou de ligar e dar notícias sobre a vida tão corrida e maravilhosa que é a dela, e que hoje em dia, sem uma mísera notícia daquela filha de uma vaca que se dizia sua amiga, você continua tentando entrar em contato com ela enquanto se debulha em lágrimas por não conseguir, e fica se perguntando "por que, por que diabos eu ainda me apego, me importo... Blablablá?".
   Tá bom que a sua vida tá uma merda e você só se fode, e daí? Então quer dizer que a solução infalível para todos os problemas (sejam eles afetivos ou não) é virar eremita e ir morar numa gruta, caverna, sei lá, completamente isolado? Se acalma e vai comer um pão de queijo mineiro, vai.





 Ágata é viciada em pão de queijo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Não aprendi

"Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre."

A crueldade é digna. Sabe como é, a vida é muito breve e eu choro pelo ano, mas por que? Não sou de ferro, nem malígna, muito menos impassível, como costumam dizer ou pensar. Apenas humana, com carne, osso, cabelo, atitude, altivez, esperança, burrice, todas essas coisas estúpidas que um ser humano no mínimo algum dia já teve eu tenho, só que não costumo me policiar e acabo por ter demais. Isso me esgota o ânimo. E tenho essa pequena coisinha de acreditar e idealizar mais do que deveria, quando nada sai como era esperado apenas prorrompo-me aos soluços, essa coisa de acreditar não é só acreditar, não é só pôr um pouco de esperança e esperar que se multiplique, é mais, e idealizar também não é tão fácil, idealizo com vontade. Mas então recebo a notícia de que não poderá ser de tal forma e não me sinto feliz em proceder dessa maneira, é caminho demasiado longo, como isso sucederá? Não perco as esperanças ou a burrice hereditária, nem deixo de fazer altas idealizações, contudo, continuo sem saber como lidar com a decepção quanto às mudanças de rumo que os planejamentos tomam por si mesmos. Me acostumo com certa ideia e então faço o possível para que tal ocorra, mas se ela não ocorre, se as coisas não tomam o rumo que deveriam tomar, se elas saem do controle, saio também, sinto o amargo. Não sei lidar com a perda. Não me ensinaram, não aprendi e tampouco tenho vontade para tal.


"Trata-se de uma decepção diferente: não tenho ódio nem vontade de chorar. Em compensação também não tenho vontade de mais nada."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Responda

Como seria se nossas vidas não fossem estas? Como seria se as mãos que me tocam fossem as suas? Como seria se nosso planeta de origem não fosse este, como seria se ele fosse qualquer outro? Imagine, invente um.
E se nada do que vemos for a verdadeira realidade? E se eu te dissesse que é só imaginar, que assim pode-se criar mundos e vidas ilimitados, que assim pode-se ir aonde quiser sem mover-se? Se eu te dissesse que da mesma maneira é possível transformar vinho em água salgada e qualquer vida amarga em fábrica de guloseimas?
O que você pensaria caso eu te dissesse que tudo isso que vivemos é mentira e que os corpos celestes são outros? Você acreditaria nas minhas palavras, nada mais que palavras, sinceras palavras de uma verdadeira mentirosa? O que você pensaria caso eu te dissesse que vida é ouro e ações são prata?