"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Relacionamentos que não dão certo e o por quê de continuar se apegando

   A partir de, sei lá, agosto do ano passado, eu e uma amiga sempre passávamos as horas de 9:15 às 10:30 (por vezes até mais do que isso) das nossas manhãs de quartas-feiras conversando, falávamos sobre diversas coisas (geralmente eu monologava persistente, mas ok), até que (fazer o quê!?) ela começou a namorar com um tal de Felipe. E, adivinha, as nossas conversas passaram a girar em torno da relação estranha deles (ok, não todas, mas enfim). Até aí, tudo bem, o problema mesmo começou quando o namoro deles deixou de ser um "mar de rosas" (não que em algum momento qualquer tenha de fato sido um "mar de rosas", mas, continuando), daí ela reclamava que ele não conversava com ela, e blablablá... Logo depois ela mudou a conversa para outro plano, "Meus Relacionamentos Passados e suas Crônicas", nesse plano ela contou como eram os garotos com os quais ela havia se relacionado anteriormente, um pouco de como eles costumavam agir, e, é claro, a parte crucial, o fato supremo de que os relacionamentos dela nunca, jamais, em hipótese alguma davam certo.
   E eu lembrei muito disso tudo o que nós conversamos quando tomei um belíssimo chute no rabo há alguns meses. E lembrei de novo nessa madrugada, porque alguém (que eu não vou citar) está sentindo falta de uma amizade perdida, e toda essa melação. Mas eu não quero ficar falando sobre os relacionamentos afetivos alheios. O drama é que essa mesma pessoa que perdeu uma otimíssima amizade (e está a ponto de arrancar os pentelhos um a um com os dentes por causa disso) fez algumas perguntas bem clichês, do tipo que todo romântico e abobalhado sofredor faria, como "não consigo aceitar que as pessoas vão embora, por que não consigo esquecer?", "Pra quê nos apegamos às pessoas se corremos o risco de perdê-las?", e assim me fez pensar um pouco mais sobre essas coisas que fazemos, mas que, tão obviamente não vão durar, ou dar em lugar algum, ou até mesmo que vão dar em algum lugar, mas que depois precisaremos fazer tudo outra vez, ou sei lá o que, sabe, coisas como tomar banho, acordar, pentear o cabelo, estudar... "Pra quê tomar banho se vai se sujar?", "Pra quê acordar e arrumar a cama se mais tarde você vai dormir e terá de fazer tudo novamente?", "Pra quê pentear o cabelo se ele vai embaraçar?", "Pra quê estudar se vai morrer?", essas coisas óbvias que todo ser humano (ou quase todo) faz.
   A verdade é que eu fiquei com a última pergunta (com e sem todo o sentido) dela na cabeça "Pra quê nos apegamos às pessoas se corremos o risco de perdê-las?". Pra quê? Pra quê raios eu saio de casa todo o santo dia, de segunda à sábado, para ir ao colégio (moro na Taquara e estudo no Colégio Pedro II de São Cristóvão) estudar se um dia eu vou morrer? Qual o propósito de estudar, passar para uma boa universidade, se formar, arranjar um emprego, conquistar coisas como um posto alto com um puta salário, casa, carro, constituir família e tudo o mais? Não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas que vivemos nos fazendo nem para a que Renato Russo fez na música "Pais e Filhos": por que que o céu é azul?
   Mesmo não sabendo resposta alguma para essas perguntas insistentes e sem pé nem cabeça, e por vezes sem fim me fazendo as mesmas perguntas, não vejo lógica em parar de viver por causa dessas coisas. Tá que seu namorado é um mané sem atitude, e que você teve tantos outros relacionamentos antes desse e que nenhum deles foram assim tão mais excitantes e felizes, mas e daí, vai parar de viver por causa disso, por causa dessa merda que vai acontecer ao longo de toda a sua vida? Tá bom que a sua amiga tão querida parou de ligar e dar notícias sobre a vida tão corrida e maravilhosa que é a dela, e que hoje em dia, sem uma mísera notícia daquela filha de uma vaca que se dizia sua amiga, você continua tentando entrar em contato com ela enquanto se debulha em lágrimas por não conseguir, e fica se perguntando "por que, por que diabos eu ainda me apego, me importo... Blablablá?".
   Tá bom que a sua vida tá uma merda e você só se fode, e daí? Então quer dizer que a solução infalível para todos os problemas (sejam eles afetivos ou não) é virar eremita e ir morar numa gruta, caverna, sei lá, completamente isolado? Se acalma e vai comer um pão de queijo mineiro, vai.





 Ágata é viciada em pão de queijo.