"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Carta à Mafalda

Querida Mafalda.
 Meu bem, vê se te enxerga que tu não é cega, não quero saber da sua torpe existência. Para de me ligar, para de anunciar notícias sobre a sua vida para mim, cacete, não quero saber se tu emagreceu ou passou para as Forças Armadas, não quero saber se casou ou comprou uma bicicleta, nem se usou aquele leite em pó horrível pra fazer nescau, porque né, tu sabe que isso seria o fim-da-picada até mesmo para uma pessoa tão torpe como você, leite em pó não, isso não tolero. Você sabe. Leite em pó não serve pra nada, é horrível, tudo o que se tenta fazer envolvendo leite em pó sai ruim, bolo murcha, nescau fica aguado, tetas caem, crianças choram, o tempo vira, George W. Bush nasce, romances vão para o ralo, enfim, catástrofes acontecem. Por favor Mafalda, essa é a única notícia que quero saber de ti: usou a porra do leite em pó? Se a resposta for sim, mando atearem fogo à sua casa. Ou talvez eu mesma o faça, não há necessidade de envolver pobres inocentes nessa calamidade.
 Mafalda, sua estúpida, só me diga se usou o maldito leite em pó, é tudo o que desejo saber. Não me conte sobre seu gato, não quero saber o por que de ter ficado acordada até às 3 da matina, menos ainda se sua menstruação não desceu esse mês. Some, Mafalda, só some.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Outro clichê




   Não me esqueço de você, por mais que eu tente, por mais que o tempo passe, por mais que eu precise me desamarrar... Esqueço, esqueço mas imprevisivelmente me vens à cabeça. Hoje lembrei muito de você, não foi exatamente fácil, mas também não foi nada difícil. Lembrei de você e comecei a pensar em viajar, em sumir, virar poeira e me soprar pra longe daqui. Pensei em cumprir com uma coisa que te disse há uns 4 meses, pensei seriamente nisso, ainda estou pensando, seria a minha cara fazer uma coisa dessas mesmo sabendo que na volta para casa me estreparia pelo resto do ano.
   É uma sensação indescritível acordar e ter uma vontade súbita de fazer algo, e essa vontade se espalhar, tomar conta, e ser cumprida. Após acordar, você permanece deitado e fica calculando os prós e os contras dessa vontade louca, daí você pensa por um segundo, apenas por um segundo, “Ah, foda-se”, se levanta, pega as tuas coisas e sai de casa pra voltar somente quando a vontade estiver saciada. É realmente indescritível a sensação de desejo saciado.
   Dessa vez não acordei e senti essa vontade louca, estava estudando física lindamente, amo física, é uma das poucas coisas que amo mais do que a você, enfim, estava lá estudando, estava tocando “Ainda não passou” do Nando Reis, foi ela a culpada, me lembrei de você e dei uma remoída nas lembranças castanhas de nossas fingidas viuvezes. No meio dessa remoída lembrei daquela coisa que te disse em agosto sobre a hipótese de você ficar doida varrida e querer me esfregar pra fora da tua vida, você lembra? Enfim, pensei nisso e logo depois pensei em viajar, pensei em como seria bom voltar a fazer o que me dá na veneta sem explicar a ninguém, apenas fazer e depois arcar com as conseqüências, bons tempos. Pretendo voltar a esses tempos. Talvez. E pra abrir com chave de ouro, essa viagem seria sem dúvida a melhor escolha, mesmo que só dure um dia ou algumas horas.
   Depois de desejo fatiado e remendado, voltaria felizfelizfelizlizlizliz. Senão dezembro, senão janeiro, fevereiro. 

   Quem liga para o Carnaval?
   Escrevo clichês.









"Triste é não chorar
Sim eu também chorei
E não, não há nenhum remédio
Pra curar essa dor
Que ainda não passou
Mas vai passar!
A dor que nos machucou
E não, não há nenhum relógio
pra fazer voltar... O tempo voa!

Eu não suporto ver você sofrer
Não gosto de fazer ninguém querer riscar o seu passado
E o que passou, passou
E o que marcou, ficou
Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado?
Por você, por você"
 
(Ainda não passou - Nando Reis)

domingo, 5 de dezembro de 2010

No cu delas



 


"A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?"


Lindo, né? Eu digo que te amo, tu afirma que me ama e saímos de mãos dadas por aí. Lindíssimo, lindíssima cena de filme. O Amor é uma coisa maravilhosa, irmão, maravilhosa, até que te despedaça, até que te crava uma estaca pelas costas e te estraçalha forever, o Amor é mágico, mágico pra caralho, te destrói em segundos. Amor? O que é o Amor?
Eu te digo, te amo meu amor, te amo muito, e tu rebate dizendo que me ama também, que me ama muuuuito, muito, muito, que é pra sempre. Pra sempre!? As pessoas dizem que é pra sempre, eterno, forever. No cu delas. No cu apertado delas! Amor é o caralho. Pra sempre, no cu de quem diz, Amor não é assim, sai daí, bando de animal. Porra.
Lindo. Tão lindo que não suporto todo esse sentimento cheio de si, tão cheio, mas tão cheio, mas não para de crescer e absorve, absorve, e te engole pra dentro dele, e tu se perde numa coisa maravilhosa, mas não dura, não é pra durar. Já começa com fim premeditado. E você sai disso tudo arrebentado, esfolado, com fraturas expostas, você sai horrível, cuspido, triturado. Quando você sai.
Cara, Amor é uma coisa muito complexa, muito intensa. É coisa sensorial demais pra mim, me arrebento sempre, sem exceção. Amor é uma auto-destruição aclamada. Todo mundo quer amar e ser amado, coisa sem igual, essa tortura coletiva. Pra que amar? Pra que pedir para ser iludido? Pra que se desgastar com essa merda moribunda? Pra que pedir pra tomar no cu? Amar não é vida. Meu chapa, o Amor não existe, e no cu delas que é pra sempre, no cu apertado e preto e sem pregas de quem diz que é pra sempre, porque, oras, pra sempre é nunca mais.


"Em movimento, andando por aí, perdendo ou ganhando, levando porrada, tentando amar."