"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)

I am not but I am

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
essa metamorfose ambulante...

sábado, 26 de setembro de 2009

Morena

A pessoa conhecida, que na verdade é estranha
se prosta no caminho
Ela não me permite passar.
Diz-me como se fosse (eu) forasteira

Apeteço há muito,
olhar fundo nos olhos sonhadores e furtivos da Loura.
Lastimável que ela esteja tão perdida (...)
Tanto quanto, ou tanto como (?)

Olhos. Seus olhos,
Eloquentes, estapafúrdios,
Excitam-me

Tão platônico...

Sagazmente, falo-te:
A Morena, porém,
de mim arrancou o coração
e não só isso,
também levou de mim a emoção

Se novamente a tenho em meus braços
atrelar-me-ei a ela,
a Morena,
Minha doce Moreninha.




-Só pra constar, eu não gostei muito desse poema... Ficou faltando algo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lírios... e algo mais.


Maçã, fruta denominada (...) como sendo "o fruto proibido",
discriminada, relacionada ao pecado.
Maçã vermelha.
A paixão, o amor,
ambos associados à cor vermelha.

Vermelho que me instiga, que me inspira
vermelho que me faz sentir coisas indefiníveis.
Indecifráveis.

Meu tesão é vermelho, creio que meu alter-ego também o seja.

Só enxergo lírios,
ao fundo, à frente
Tudo são lírios.

Na verdade, são lírios e ela.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Preto no Branco III

Mas de repente, para surpresa própria, lá estava ela, chorando aos prantos. Afagou novamente seu pequenino elefante de porcelana. Continuou a chorar, sem tentar, nem mesmo, conter os soluços agudos.
Vagou pelo corredor. Não havia mais cor em seus olhos, apenas dor. Pobre garota. Sem ninguém, sozinha nesse turbilhão que é a vida.

Parou na sala de estar, demorou seu olhar numa das poltronas. Sentiu um ar gélido soprar-lhe os ouvidos, e uma sensação quente subir-lhe pelas costas, como se alguém a estivesse espionando, mas... De onde ? Quem ? Virou-se num pulo, com olhar atormentado, e procurou, desesperadamente, pelo par de olhos gatunos que estavam bisbilhitando-a.
Nada.
A sensação de invasão só aumentando. De repente ouviu-se um grunhido, pareceu vir detrás da janela central, a maior, sempre oculta por cortinas vermelhas, grandes e espessas. A sala de estar não era quente. Liesel aproximou-se da janela, e afastou alguns milímetros da cortina vermelha para o lado. Observou atentamente, nada notou. Ninguém. Sequer um moribundo a espreitava... Decerto havia algo escapando por dentre os eixos...

Uma picada no pescoço. Sonolência. Escuridão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Feito Por Beatriz M.

A dúvida é amarela.


"Foram-se as letras e histórias construídas.
São tantas ideias, todas abstratas, paralelas,
crescentes, impuras, todas utópicas,
dando-me algo novo
dentro do que permitem as circunstâncias.

A dúvida é amarela, acho que minha alma também."

Preto no Branco II

Liesel sentia-se condenada a olhar aqueles rostos sem vida, encovados. Aquilo não era nada do que ela imaginara que teria por seu caminho de vida. Assombrada pelos membros dos corpos de seus pais que estavam espalhados pelo chão do quarto, Liesel afastou-se do ponto onde estava, andando devagar, até que sentiu estar recostada numa das paredes. Desmoronou. Deixou-se escorregar, sua coragem estava esvaindo-se. Chorou, soluçou. Parou, enxugou as lágrimas pendentes em suas bochechas pálidas. Pôs-se de joelhos no chão que parecia a cada minuto ainda mais duro e poeirento, e foi engatinhando até o lavabo anexado ao quarto. Era um lindo, sofisticado e espaçoso lavabo. Liesel amava a banheira que estava a sua direita, logo após entrar pela portinhola do lavabo, era de fato uma lindíssima banheira em estilo vitoriano. Mas, mais que a banheira, Liesel amava como se tivesse vida, sua penteadeira, ela era de um roxo contundente, e seus acabamentos eram liláses. Por sobre sua penteadeira de "estimação", havia um elefantinho azul feito de porcelana, com a metade de sua minúscula tromba quebrada, aquele fora o único presente de que ainda a ajudava lembrar da mãe biológica, a frágil e adorável Eleannor Strezer. Por fim, sem saber qual atitude tomar, Liesel pegou, com sua mãozinha trêmula, o pequenino elefantinho azul e o afagou. Adormeceu.

Ao primeiro raio de sol, Liesel já estava alerta, de pé. Ainda não tinha coragem suficiente para voltar ao quarto e deixar que seus olhos pousassem nas partes tombadas dos corpos de seus pais adotivos. Inspirou fundo, fechou os olhos e caminhou para fora do lavabo, e depois, para fora do quarto. Percebeu que já poderia abrir os olhos sem qualquer risco aparente, quando pisou num carpete macio, era bem melhor que o piso frio de seu quarto. Ao abrir lentamente seus olhos amadores e analizadores, Liesel apenas pôde sentir alívio. Alívio por finalmente ter saído de dentro daquele antro de discordia e traição. Ela já pensava no porque de seus pais terem sido feitos em picadinho, e em quem teria concluído tal atrocidade. Apesar de seus conservadores 11 anos de idade, ela não era boba, e já montava em sua mente uma breve simulação do que e do porque tudo aquilo havia acontecido.