"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

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essa metamorfose ambulante...

sábado, 2 de março de 2013

Quiçá eu quero ver o 0C0

 Pois então revelarei-lhes o que parecemos: parecemos homenzinhos azuis à procura de uma gruta em que nos escondermos. Não adianta negar, bem lá no âmago sabemos que todos nós temos um quê de eremita. Cada um sabe esse detalhe inevitável de si mesmo, e, como já disse, não adianta negar.
 Meses... O que são meses? São meus pés saindo pelas mãos. São minha paciência se dissipando grão-a-grão bem diante do meu nariz. São meus cabelos caindo. São meus nervos à flor da pele. Meses são o fim iminente de todos os dias de nossas vidas. Como os dentes que caem na velhice e as articulações que já não obedecem mais.
 Esse mundo está definhando e todos nós estamos indo pelo mesmo ralo imundo e decrépito. Lógico, né... Nós cavamos esse ralo e não paramos jamais de cavar cada vez mais fundo, e tudo isso só porque nós queremos ver o OCO, o vazio alusivo a que nossas mentes tão inversamente sãs cismam em abraçar. Esse buraco pelo qual damos nossas vidas como se de fato valesse um cruzeiro é a desgraça pela qual procuramos pelo puro prazer de confundir e chantagear a mente do outro que se enfraquece. É um buraco que cada um guarda dentro de si... De si pra si. E de quando em vez tenta, impiedosamente, arremessá-lo para dentro de outrem para que este se acabe de uma vez. Como se tal ato fosse digníssimo.
 A cama e as portas rangem, não obstante a noite não promete nada. Talvez a vida também não. Quiçá eu também não prometa nada, ou prometa e não cumpra... E a vida sempre continua. Ou, como dizem os filmes hollywoodianos - e a música de mesmo título do inesquecível e amabilíssimo Freddie Mercury, vocalista da banda inglesa de rock, Queen -, "the show must go on".
 Mas isso já não é nenhuma novidade, não é mesmo compañeros? Promessa é uma coisa que soa tão... Era Medieval, sei lá. É uma ideia muito bonitinha, mas ainda assim uma bela utopia. Assim como democracia, poderes místicos vindos de deuses de uma outra dimensão, Amor e, sei lá, vaca de soja.
 Vai ver esse é um dos motivos pelos quais eu gosto muito mais dos meus livros do que de gente. Essa gente careta e debilitada que pensa que tudo é purpurina e palco. Do afeto emocional contorcido e do teatral megalomaníaco já estou farta. Sei que ao menos por um tempo, e esse tempo pode durar tanto por meses como por horas, poderei dizer que é bom pôr os pés, diga-se de passagem, muito bem postos, no chão. Talvez até fincá-los!


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