"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

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essa metamorfose ambulante...

domingo, 30 de agosto de 2009

Concepções.



Eu quero deixar esses dias cinzas para trás, quero viver o novo, suspirar a liberdade, sorrir à vontade. Se tudo fosse fácil a vida não teria graça, correr riscos é de graça, faz bem. Não quero me preocupar com o tempo que falta pra essa palhaçada se dissipar, só penso no futuro, seguir em frente, faltam dois anos apenas. Ta ta ta, garçon, me traz uma banana split e põe na conta da Edith. Quero poder inspirar ar puro e não sentir dor, arrependimento, quero poder olhar pra frente e sentir que fiz o certo, ao menos para mim, não o bem e nem o mal, mas a escolha certa. Quero ver o sol nascer, a lua aparecer, as flores crescerem, os pássaros a voar, a minha vida se encaminhar. Nem tudo é como a gente quer ? Negativo, tudo é como se quer, pense só, as coisas apenas não acontecem na ordem em que pensamos que aconteceria. Se eu pudesse, pensaria em como foi o meu primeiro banho de chuva, a minha primeira sorte grande e em como estava o céu, no dia em que eu não me reconheci. Se eu pudesse retroceder num dia qualquer, talvez eu escolhesse um dia aleatório, ou talvez eu escolhesse o dia em que eu realmente me senti impotente, vulnerável, apavorada (até os ossos), creio eu, que muita gente não faria isso (claro), mas hoje em dia, à flor da minha juventude e talvez da ignorância quanto a algumas coisas, eu simplesmente não sinto medo, não tenho noção do que exatamente é isso, talvez me fizesse bem sentir outra vez o que é o medo, entrar em pânico por estar com medo de algo verdadeiramente assustador, nem que isso se aplicasse ao medo de perder alguém, mas que realmente surtisse o efeito esperado, não que eu queira viver com medo, apenas para que não voltem a me dizer que sou insana, não que eu ligue, mas que, vindo dessa pessoa, realmente me irrita, ela se acha tão certa, tão impune. Me deixe ser insana, eu gosto. Essa é a minha paz. Se o sol se fizesse negro e frio, eu não me faria dormir, não mais, é à noite que as coisas acontecem, é no escuro. Ansio pelo crespúsculo, quero vê-lo a ponto de sufocar com sua beleza, me castigue, se isso fizer-te enjoar. Vou correr desvairada, pela rua vazia da manhã mais fria de janeiro, pra ver se me julgam louca, ou se me acompanham. Vou gritar sem cautela, em frente à portaria do prédio dela, fazer escândalo para que desça e me aqueça, quero sentir seu corpo ao meu, com isso meu pior dia se tornaria o mais belo. (*SEM NOME NO MOMENTO*) é o nome dela, que me desperta euforia, que por cada dia me faz ter vontade de estar aqui por um pouco mais de tempo, que se faz inesquecível a cada momento, estando ou não presente. Me dê seu coração, ou eu não me faço completa, me diz que gosta de mim, me joga no chão e me pisoteia. Pra te ver com urgência me faço enferma, minha mãe que o diga, é de família. Queria eu ter o direito de quebrar tudo, ao mínimo sinal de raiva, quem dera. Ah se a vida fosse assim tão bela, aliás, ela o é, devemos apenas enchergar de todos os ângulos possíveis, dar atenção à magnitude das coisas simples, aos gestos pequenos, porém amenos. Vou enrolar as pipas nos pios, mandar meus beijos pelo ar, me embaraçar nos braços dela e não mais soltar, não mais poder, como não mais sentir. Não mais sentir sua falta.



Como um temporal, imponente, forte e rápida, assim é a minha passagem pela vida dos vivos, vivendo num mundo de ódio e discórdia, sem o ardor do amor. Mata-me com essa desavença sem pé, nem cabeça, sem início, sem meio e nem fim.

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