"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

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essa metamorfose ambulante...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Putrefato ?



Será que alguém, qualquer um, já parou para pensar no que eu sinto? Mesmo que tenha sido após um considerável intervalo de tempo, ou sem querer. Não que eu mereça isso, é apenas uma dúvida minha. De verdade, eu acho que não. Superficialmente.
Não quero pena ou compaixão, apenas ódio, raiva e revolução. É tudo tão injusto, tão desconcertante, errante. Ao mesmo tempo que me amo, me odeio por ser quem sou, em grande parte por causa do que me denigrem, dia após dia.
Posso ser forte, mas não sou de aço, meus alicerces rangem ensurdecedoramente. Estou nutrindo um excit
ante desejo de morte, minha morte. É meio covarde, admito, mas resolveria tudo bem rápido. Um puta cretinismo, espero que um dia os papéis realmente se invertam, que seja mega ultrajante para os “mal-feitores”, não me importo.
Quando eu for embora, quando eu atravessar a fronteira, seja ela de um país a outro, ou de um “mundo” a outro, não olharei para trás, nunca, jamais. Não sentirei falta disto, desta dor profunda, deste ódio enraizado em meu peito. Apenas continuarei me afastando, tenho de atravessar a fronteira. Eu tenho, eu quero. Preciso.
Por mais que as coisas melhorem gradativamente, por mais que eu mude, eles não fazem o mesmo, não têm consideração, depois vêm me falar de gratidão? Vá se foder. Eles nunca mudam, contam sempre as mesmas estórias, me distorcem os pensamentos, já não me controlo mais, é terrível a força que faço para alcançar o mínimo de controle, e o mínimo de controle nunca é o suficiente.
Essa vida que eu levo mais me consome do que me dá. Me leva tudo, me tira, me destrói. Definho sordidamente a cada pensamento que vem à cabeça (não que isso não corresponda à minha concepção de vida), contudo, dói mais do que na teoria e ocorre lentamente, literalmente se arrastando. Por dentro estou pútrida. Sem vida. Morta.
Miserável, maldito, é aquele que me roga impensavelmente, me atordoa a alma. Mal me compreendo. Meus pensamentos, até mesmo os mais infames, todos, tão distantes, intocáveis. Me sinto infeliz. Dói tanto... O ar, que já quase não respiro, é espesso, arranha-me a garganta, mata-me aos poucos, a cabeça lateja, nada encaixa, de repente um calor devasso sobe pela espinha. Tudo é demais, um simples sussurro é brutal, dor, muita dor, e raiva. Quero ir embora, esse desejo irreprimível... É tão difícil permanecer aqui. Quero fugir... E porque não? Seria libertador... Como ver um copo de água gelada em pleno sol escaldante. Irresistível.


Me deitar por sobre a mais bela grama verde-vivo e apreciar o sol nascer, não ter mais pensamentos soltos e perdidos, respirar e sentir alívio, não desperdiçar o tempo como se ele fosse infindável, enfim. Viver a vida.

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