"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

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essa metamorfose ambulante...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Preto no Branco I

Liesel já estivera há muito, tão só, entrentanto, não como agora. Seus pais adotivos... Onde estão ? Liesel pergunta, clama, mas ninguém responde, ninguém vem ao seu encontro.
Está tão escuro lá fora, tão escuro quanto seu cabelo negro como a noite.

- Onde estão ? - Ela novamente ralha, sem compreender o que se passa ao seu redor , sem se dar ao desprazer de sentir os odores que a cercam. Enxofre. Gasolina. Pólvora. - O que está havendo ? - Mas como antes, ninguém responde.
Liesel então, agarra-se fortemente a um pequeno vislumbre de coragem, e abre, numa pequenina fenda, seus olhos. Lindos olhos claros, amadores e hipnotizantes.

Bem ao fundo do quarto enegrecido, pode-se distinguir formas de rostos. Liesel tatea até uma metade do caminho... Está tudo tão quieto, tão escuro... Ela pensa, e analisa as sombras mórbidas que estão mais à frente. Aproxima-se mais, e muda, prende a respiração. De repente um sobressalto, sobe-lhe um frio inóspito pela espinha.
Um clarão. Liesel pôde ver o que estava a poucos metros de distância. Cadáveres. Seus pais tinham seus corpos desmembrados ao chão frio e empoeirado.

Perda de foco, escuridão. Torpor.

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