"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A casa

Na minha casa há paredes... Paredes que jamais foram acimentadas, onde batia vento, caia tijolo. Não que os tijolos tenham desistido do suicídio... E não que eles não o tenham feito, todavia... Abandonei o que chamava de "minha casa" por uns tempos e voltei à vida de nômade de antes, jogando-me ferozmente estradas adentro e buscando um sentido definitivo para as incertezas inseguras que atavam-se deliberadamente ao caos de minha vida delinquente e desabençoada.
Voltei à casa vinte e tantos anos mais tarde, podre de rodado e bêbado de solidão. Ser nômade é foda. Ter coração nômade, é foda pra caralho. A casa que antes eu chamava de "minha casa"... Era puro tijolos. Espalhados e espatifados. Em vinte anos muita coisa deve ter ela passado, enxurradas, ventanias, arrombos, etc. Aliás, todas as amarguras que ela supostamente enfrentou, não são diferentes das que passei e das que fiz com que passassem, tirando de estranhos e conhecidos de vista, coisas que não me pertenciam. Tirei mesmo, e daí? Fodi com muita gente, e entenda essa merda como quiser.
A casa não parecia o que um dia foi "minha casa". Transtornado e puto, dei meia-volta e fui embora. Se para sempre, talvez, mas pra sempre é uma expressão muito forte, seria como dizer "e até que a morte os separe", ou "você é a única".
Minha casa nunca foi verdadeiramente minha. Nem meus erros... Nem nada, nem ninguém.

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."
(Vinícius de Moraes)

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