No início tudo deve acontecer lentamente, meio a meio... Certas coisas devem despencar do céu, ficamos olhando para cima, à espera de que algo volte a surpreender-nos.
Bem sabe-se o quanto o tempo se arrasta das 5 às 12, e o quanto ele se apressa das 12 às 13.
A vida é tão curta e frágil, dá medo de tudo, de ficar e ir, de ir e voltar, de falar e permanecer calado, de abrir e fechar os olhos, de apagar e acender as luzes do céu e do quarto, de sentir e não sentir, de sorrir e não sorrir, de olhar naqueles olhos e continuar ou desviar.
A vida é pedaço de vento dentro de balão d'água.
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."
"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata..."
(Carlos Drummond de Andrade)
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
Ou toca, ou não toca." (Clarice Lispector)
"Eu me recuso a ser sócio de qualquer clube que me aceite como sócio." (Grouxo Marx)
"Repara bem no que não digo." (Leminski)
"Meu epitáfio será: Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa" (Rita Lee)
I am not but I am
sábado, 14 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Estranho e frio e gostoso.
Não sei o que dizer. Não sei se por não saber, mas também pode ser que seja pela dúvida, pela possibilidade de que dizer algo talvez faça com que esse encanto se quebre, se desfaça feito algodão-doce.
Estranho. Hoje senti um frio na boca do estômago capaz de paralisar quaisquer movimentos, e paralisou. Ele desceu desde a altura do coração. Muito estranho. Mas não foi ruim, só estranho. Coisas estranhas acontecem.
Estranho. Hoje senti um frio na boca do estômago capaz de paralisar quaisquer movimentos, e paralisou. Ele desceu desde a altura do coração. Muito estranho. Mas não foi ruim, só estranho. Coisas estranhas acontecem.
Ou talvez seja apenas estas batidas desenfreadas.
"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." (Carlos Drummond de Andrade)
domingo, 8 de agosto de 2010
Bem que minha mãe disse
Plena manhã de sábado, dia 7 de agosto, 5:45, é, acordei cedo... Bendita aula, na verdade eu nem ia dar as caras por lá, mas tinha um assunto para tratar. Ou tentar. Enfim, adoro São Cristóvão...
Blablablá, blablablá.Cheguei em casa, tomei banho, pus um shortinho e um blusão do meu time de futebol, deitei de bruços na cama para estudar. Não muito depois, liguei o computador e acessei a internet. Legal, uma delas estava online. Me chamou para irmos à uma festa. Ok. Eu só teria de estar em casa às 21h. É, cedo assim. A festa era na Pavuna... Ou quase.
Eram 15:32 e lá estava eu, Realengo, bem no bloco e sem a menor ideia de qual era o número do apartamento. Adoro. Subi. A criatura-mãe estava morta, dormindo na cama. O pai atendeu a porta. Oba.
A criatura-filha ainda estava se arrumando, puta que pariu. Esperei, esperei e esperei. Saímos, pra lá de 16h. Encontramos com outra criatura, depois com mais duas, faltava uma. A última das criaturas apareceu lá pelas 17:45, eu já estava puta ao extremo, afinal, teria de estar em casa às 21h e já eram quase 18h, nós ainda iríamos para a caralha da Pavuna, aonde quer que fosse. Mas pra animar a viagem, que deveria durar meia hora, havia cantores no ônibus, como cantavam bem... Nós e os demais passageiros nem quisemos nos matar, ou matá-los. Aquela era, definitivamente, a meia hora mais demorada da minha vida... Pois é, meia hora, né, 19:14 chegamos por lá, sei lá onde era, atravessamos a pé uma feira maldita, que favela. Paramos em frente à uma igreja, o celular da praga da aniversariante estava desligado, ok, depois ela ligou e nos indicou que fôssemos de táxi. Chegamos, finalmente, amém irmãos. Subimos, mais burocracia. Subimos mais, que merda! Que festa merda! Puta merda! Só gente linda, olha só, as caras do capeta. Enfim, banheiro. Uma puta fila, ok. Vinte minutos em pé, trinta milhões de pessoas e uma porra de um banheiro com um único vaso sanitário, PUTA QUE PARIU!
Descemos para ir embora, 20h, cadê a besta-anta da aniversariante? Cadê o dinheiro do táxi? CARAAALHO. Chegou a critura, pegamos a prata. Descobrimos que nenhum táxi faria viagem com seis passageiros, ótimo. Tomamos um ônibus, sacolejava tão delicadamente que só senti meu útero deslocando dentro do meu corpo, er, e poderiamos perfeitamente bem ter perdido nossas línguas... É. Soltamos, andamos, andamos mais, ok, chegamos no ponto de onde havíamos soltado, aquele da feira... O ônibus demoraria um pouco para sair. O menino perguntou que horas eram, surtei novamente "O QUE!? 20:53!? MINHA MÃE VAI COMER MEU CU!". O ônibus enfim saiu, surtei de novo.
Lá fomos nós... Aliás, a festa era depois de Pavuna, em São Jõao do Meriti. Nessa "volta para minha terra", nada peregrinada, IMAGINA, passamos por lugares lindos e maravilhosos, realmente estonteantes: Anchieta, Mariópolis, Albuquerque, passamos perto de Nilópolis... Ou seja, a treva, podem juntar Realengo, Caxias e São Gonçalo, Pavuna vence sem esforços e sem ajuda.Porra, pisamos novamente em terra firme às 21:59, eu tinha de estar em casa que horas mesmo? Ah sim, 21h, né? É. Pegamos uma van. Soltamos, 22:14, andamos até minha casa, um vento gelado de doer os dentes e espantar a alma. Mãos dadas, risos. Chegamos. Um copo d'água.
Fui levar a criatura-filha ao portão, um beijo, dois beijos, três beijos. Er.
Para quem pretendia passar o sábado estudando tranquilamente, até que teve uma tarde-noite BEM movimentada. É, sábadão, talvez eu vá para São Gonçalo no próximo, sabe como é, né? Sair um pouco dessa rotina... Pisar em ruas não-asfaltadas, que aventura...
Bem que minha mãe disse. Pavuna é um pedacinho do céu. Claro, e eu sou hétero. É, minha mãe disse que Pavuna é horrível e etc e tal, pelo menos pude ver com os próprios olhos, sensacional, quero morar lá...
Só serviu para morrer de/fazer saudades.
"Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você tá vivo, e essa vida é pra se mostrar. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho."
(Cazuza)
PS.: Não sou ariana, mas foda-se, faço mesmo.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Ciranda
São ambas similares
feições e olhares
Mais uma vez
deixo-me-faço-me entrar numa dessas
Confusões à três
Isso dói fundo feit'um parto
Lá vamos nós,
com nossas tolas paixões,
Embarcar nesse barquinho truculento
de um-pouco-nem-tanto-ingênuas emoções
Rodemos nessa ciranda de sentimentos.
Rodemos nessa ciranda
de manda e desmanda,
de gosta e desgosta,
de ama e desama.
De ama e reama."There are too many questions
There is not one solution
There is no resurrectionThere is so much confusion
And the love profusion
You make me feel
You make me know
And the love vibration
You make me feel
You make it shine
There are too many options
There is no consolation
I have lost my illusions
What I want is an explanation
And the love profusion
You make me feel
You make me know
And the love direction
You make me feel
You make me shine
You make me feel
You make me shine
You make me feel
I got you under my skin (4x)
There is no comprehension
There is real isolation
There is so much destruction
What I want is a celebration
And I know I can feel bad
When I get in a bad mood
And the world can look so sad
Only you make me feel good
I got you under my skin (4x)
I got you under my skin (4x)
And the love profusion
You make me feel
You make me know
And the love intention
You make me feel
You make me shine
You make me feel
You make me shine
You make me feel
I got you under my skin (8x)
And I know I can feel bad
When I get in a bad mood
And the world can look so sad
Only you make me feel good"
(Love Profusion - Madonna)
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Talvez-quem-sabe-um-tanto
Te contar, a parte de trás do meu biquíni é meio pequena, ok, é muito pequena, ela é tão mínima que fico constrangida quando vou à praia. É sério, ainda fico constrangida... Aquela lá que você vê, toda descontraída e falando palavrão, mera casualidade... É só uma de minhas mil faces. Aquela sou eu tentando agir com naturalidade; e só nessa tentativa, meio bem-sucedida, já perco toda a naturalidade. Não que essa descrição límpida e talvez-quem-sabe-um-tanto equivocada de mim esteja errada, só estou dizendo que ao mesmo tempo em que sou hiperativa e falante, deixando fluir palavrões e outras coisas mais aos montes, também sou quietinha, assim mesmo, 80% totalmente na minha; quieta, calada, observadora.
Que bom... Ao fim da tarde, dentre tantas coisas, ela ainda diz "I miss your ginger hair".
"Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias."
domingo, 1 de agosto de 2010
WTF, baby...
É verdade.
E vem o apertoe a falta de ar
e aquele desespero interno, parece que se afoga,
o rosto paralisa triste e as lágrimas querem rolar, mas nenhuma cai.
Só piora.
O coração vai parando de bater,como se estivessem lhe tirando a própria vida, assim, sem mais nem menos e não se pode fazer porra nenhuma,
e sem querer as coisas vão se perdendo...
Yeah,
what the fuck are you doing?
Queria que as águas da chuva lavassem toda essa sujeira que não é minha,
mas que está entranhada em minha pele, por toda a extensão do meu corpo,
e na sua também.
Yeah,
what the fuck are you doing?
"Agora pensei outro pensamento de gente grande. É assim: vezenquando, uma coisa só começa mesmo a existir quando você também começa a prestar atenção na existência dela. Quando a gente começa a gostar duma pessoa, é bem assim"
"Porque fé, quando não se tem, se inventa"
(Caio Fernando Abreu)
sábado, 31 de julho de 2010
Verdades de mentira
O que adianta pensar em mim e criar verdades, ou fazer de mentiras, verdades, se não fala comigo? Já pensou que amanhã podemos não estar mais aqui? E que o tempo que tem comigo você não passa de maneira proveitosa? É, também não exerço muito bem o meu cargo imaginário. Do que estou falando então? Cargo imaginário, né, por dois motivos, 1) de fato não ocupo cargo nenhum, 2) nada passa desse plano, é imaginário, delusório... Talvez haja mais motivos, e daí? E se houver mais, diferença não faz, dá no mesmo, você fica imaginando e eu também, e nada passa disso.
Mas andei pensando muito, de verdade, e ela não foi inventada e nem transformada em si, andei pensando demais no "daqui pra frente, o que será de nós..", ou algo parecido, e não cheguei a lugar algum de primeira, mas de segunda me fluíram algumas coisas, nem todas otimistas, vieram dúvidas e outras coisas que me tiram a calma, mas vieram outras coisas também, mas também não penso que são otimistas. Senão todas, necessitam de esforço e compromisso... E "aquilo" mesmo cheio de outras coisas sentidas, não se basta com elas, é preciso mais, muito mais.
Mas e daí, nada disso importa para mim. Nada me afeta ou enobrece, nada me inquieta ou desentristece. A vida me deturpa. Sou solteira. Sim, porque há uma diferença gigantesca entre "ser" e "estar", ser é imutável, estar é mutável, adquire-se e perde-se. Sou solteira, nasci assim, vivo assim, morrerei assim. E nada impede, eu não me impeço, eu me impeço. Não me impeço de ser até o fim e me impeço de deixar que me impeçam. Mas sou passível de mudanças sempre, não confio em mim por isso, posso estar certíssima de algo e depois vou me provar estar certíssima de outra coisa, é a minha vida, é, tão incerta quanto posso definir, tão errante quanto quem a vive, ou não...Essas verdades mal-contadas, transformadas e camufladas, elas acabam com essa pessoa que sou, ou que estou sendo, pode ser momentâneo, não tenho certeza, mas se tivesse, não faria diferença, nada dura pra sempre. A não ser que queiramos, mas isso também é muito duvidoso.
Que droga é não poder tomar uma decisão sem pensar na outra parte, olha a burocracia surgindo, tenho de pensar e repensar e pensar de novo, depois tenho de pesar e pesar novamente e pensar ainda mais... Melhor ainda, é a outra parte supercolaborar sendo superindiferente, isso me alegra tanto! Ou se é ou se está. Malditos joguinhos e orgulhos. Não é tudo, também dão um alô o menosprezo e a hipocrisia, sabe. São coisas sensacionais que eu adoro. Sem ironia... Adoro de verdade, mesmo que essa seja camuflada.
Foda-se, é tudo uma merda."Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto."
"E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior."
(Caio Fernando Abreu)
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Vomitar
Cicrano, meu amigo querido, morreste tão cedo, não pensaste em mim? Coitado de mim... Como pôde? Éramos tu e eu, eu e tu, apenas nós quatro. Cicrano, meu amigo querido, confiei tanto em ti, como pôdes descartar minha confiança por pão e banana?
Cicrano era nada mais que um cão, meu cão, querido e único cão. E agora... Bem, agora nada mais é que sabe-se lá o que, nada nessa vida se cria ou se perde, tudo se transforma, né? Não sei no que Cicrano se transformou, nem a confiança que lho havia depositado... Talvez ela tenha se tranformado em ódio ou rancor, quem sabe em tristeza, talvez em saudade, mas não sei.
São cousas que me desatinam. Não aprendi a lidar com essas cousas, não aprendi, e agora não tenho por quê aprender. Por esses dias conheci alguém, essa pessoa tem me feito ver por outras perspectivas toda essa bosta inútil, mas ainda há cousas que não me deixo ler, paro meu olhar no título e não me permito destravá-los de lá, não sei, simplesmente não me permito não sei se por vergonha, receio, ou medo, simplesmente não me permito. E não me arrependo... Sinceramente, cheguei a me permitir certas vezes, mas não me agradaram.
E fico nessa, de aprendo, me arrependo e vomito.
Quero vomitar tudo em tudo o que não me faz bem, feliz ou segura.
"Hoje existir me dói feito uma bofetada."
terça-feira, 27 de julho de 2010
Passados e presentes e futuros
Tem essas coisas que me acontecem cheias de loucura, outras cheias de ódio, e ainda outras mais, cheias de paixão, vá lá. Tem gente que me diz pra não viver de olho no futuro, mesmo que seja próximo, e gastar o presente, vivê-lo em todas as direções. Tem gente me falando um monte de coisa e isso me enche as ideias. Parem.
Se eu quiser esperar alguma coisa, alguma atitude, alguém, algum sentimento, novidade... Caramba, se eu quiser, vou esperar lindamente e acabô, cambada. É... Belezinha. Aí quando deixo de lado todas essas vozes externas que estão tentando pôr minhas decições em atrito, me vêm pessoas e declarações, como se não ter nada disso em consciência já não fosse suficientemente difícil. Ê laiá, só me põem em meio de carnaval. E quando não põem, meto-me sem dó.
Meu bem, de tudo rola, passados que só sabem ressuscitar, futuros que se arrastam pra entrar em prática, presentes que têm presa em acontecer, tudo rola, tudo, tudo, tudo. E pensar que minha vida é entediante, só em pensamentos, aliás, nem isso.
Não quero mais essas vozes. Não queria antes, menos ainda agora. Deixem que penso por mim.
É loucura, foda-se, mas é minha.
"E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais..."
(Tomara - Vinícius de Moraes)
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Alguém. Ela. Você.
É indubitável que quero alguém, mas não "alguém" qualquer um, tanto faz, não, não como se eu fosse me entregar de corpo, mente e alma para a primeira merda que me viesse a aparecer, e sim alguém em específico, de nome bonito, RG, CPF, título de eleitor e os caralhos.
Essa maneira tão foda-se de ser para tudo, me abriu uma fenda... Por aqui, é, bem aqui... Não, mais pra esquerda. Não, para a minha esquerda... É, agora sim. Essa fenda... Funda e preta, abriu e está finalmente cicatrizando. Nem consigo crer, demorou tanto tempo, mas tenho de acreditar, tenho de acreditar... Tenho e acredito. É.
Essa maneira tão foda-se de ser para tudo, me abriu uma fenda... Por aqui, é, bem aqui... Não, mais pra esquerda. Não, para a minha esquerda... É, agora sim. Essa fenda... Funda e preta, abriu e está finalmente cicatrizando. Nem consigo crer, demorou tanto tempo, mas tenho de acreditar, tenho de acreditar... Tenho e acredito. É.
Essa fenda maldita sugou tantas coisas, parece um buraco negro, tal sugação imparável, suga e suga, chupa e chupa... Deplorável. Fenda maldita. Mas como disse, ela está cicatrizando agora, desde uns meses para cá. Não aguento mais esperar por ela. Na verdade aguento sim, dizer isso é para expressar a emergência que sinto dela, tão grande e sufocadora. Mas eu aguento, sou forte...
Espero que essa minha capa não se rasgue, não se esfacele...
É, quero essa pessoa de que preciso tanto. Ela sabe que preciso, ela sabe que é ela. Ela sabe. Mas ainda lhe devo uma placa. Prometo não fazer promessa de que darei a placa quando for possível, promessas jamais me disseram nada, nada além de mentiras, elas não me supreendem mais desde muitos anos. Enfim. Quero pedir uma coisa, mas me parece meio abusivo, não que seja algo sumamente íntimo, não, não é isso não, mas é que... Sei lá, sou estranha, é, mas ela também sabe disso. Quero pedir "espere por mim", mas me parece um abuso. Soa como um.
Desculpe, só que eu sinto esse tantão de coisas e, com certa frequência que não conto, me batem esses desesperos gritantes "e se...", "mas...", fico desesperadíssima. Me prego peças o tempo todo, vivo me sabotando, ah, mas você também já sabe disso, você e ela.
"[...] minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti.
Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara."
"Nada de mau me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa."
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A casa
Na minha casa há paredes... Paredes que jamais foram acimentadas, onde batia vento, caia tijolo. Não que os tijolos tenham desistido do suicídio... E não que eles não o tenham feito, todavia... Abandonei o que chamava de "minha casa" por uns tempos e voltei à vida de nômade de antes, jogando-me ferozmente estradas adentro e buscando um sentido definitivo para as incertezas inseguras que atavam-se deliberadamente ao caos de minha vida delinquente e desabençoada.
Voltei à casa vinte e tantos anos mais tarde, podre de rodado e bêbado de solidão. Ser nômade é foda. Ter coração nômade, é foda pra caralho. A casa que antes eu chamava de "minha casa"... Era puro tijolos. Espalhados e espatifados. Em vinte anos muita coisa deve ter ela passado, enxurradas, ventanias, arrombos, etc. Aliás, todas as amarguras que ela supostamente enfrentou, não são diferentes das que passei e das que fiz com que passassem, tirando de estranhos e conhecidos de vista, coisas que não me pertenciam. Tirei mesmo, e daí? Fodi com muita gente, e entenda essa merda como quiser.
A casa não parecia o que um dia foi "minha casa". Transtornado e puto, dei meia-volta e fui embora. Se para sempre, talvez, mas pra sempre é uma expressão muito forte, seria como dizer "e até que a morte os separe", ou "você é a única".
Minha casa nunca foi verdadeiramente minha. Nem meus erros... Nem nada, nem ninguém."Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia."
(Vinícius de Moraes)
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Preto no Branco IV
Acordou... Não passava d'um sonho ruim, mesmo assim tomou nota daquilo em sua mente. Continuou sentada na cama, sem mexer um fio de cabelo, estava apavorada, tudo fora tão real, como pudera acabar tão rápido? Formulou dezenas e dezenas de hipóteses sobre o que aquele sonho poderia significar, mas nada parecia se encaixar. Faltava algo crucial para seu certo entendimento.
- Manoli? Manoli? - Seu cachorro jamais se demorava quando ela o chamava, por que agora? Liesel levantou-se de súbito e foi procurá-lo. Saiu do quarto aos pulos, calçando seu chinelinho, todas as luzes estavam apagadas. Sim, aquilo era muito estranho. Liesel pôde sentir seu coração acelerar gradativamente, enquanto andava na penumbra à procura de seu cão. Sentia-se estranha não só por todo o ocorrido não ter passado de um sonho e por estar faltando algo importantíssimo para entendê-lo, mas por estar numa casa... Na sua própria casa e ainda assim parecer ser a de um estranho. Sentiu um ardor corroer-lhe por dentro completamente.
- Manoli? Manoli? - Seu cachorro jamais se demorava quando ela o chamava, por que agora? Liesel levantou-se de súbito e foi procurá-lo. Saiu do quarto aos pulos, calçando seu chinelinho, todas as luzes estavam apagadas. Sim, aquilo era muito estranho. Liesel pôde sentir seu coração acelerar gradativamente, enquanto andava na penumbra à procura de seu cão. Sentia-se estranha não só por todo o ocorrido não ter passado de um sonho e por estar faltando algo importantíssimo para entendê-lo, mas por estar numa casa... Na sua própria casa e ainda assim parecer ser a de um estranho. Sentiu um ardor corroer-lhe por dentro completamente.
Repentinamente as luzes se acenderam. Deparou-se frente à uma coroa de cabelos castanhos e logo apagou novamente.
E o tempo não parou.
O tempo nunca para.
domingo, 18 de julho de 2010
Deite-se
O Sol raiou apagado e frio, remexi na cama bangunçando o lençol, descobrindo meu corpo nu, à procura do teu ao meu lado. Mas você não estava lá. Remexi-me para o outro lado, rodopiei quilômetros sobre a cama e não te encontrei sobre ela, deitada ao meu lado. Donde estás?
Aqui não tem nada... Tem gente, tem pobreza, tem desconfiança e inveja, e não tem mais nada. Não tem mais nada, não tem você, não tem nada.
A Lua veio e trouxe as estrelas, contudo, estas também não entornavam seu brilho. O que falta? Por que está tudo tão... Descompensado?Por que a linha não traceja mais?
Levantei meu corpo da cama e olhei ao redor do quarto. Nada. Você não estava lá. Tornei a desabar sobre a cama e adormeci triste, não tinha teu corpo ao meu, aquecendo-me, alegrando-me, mantendo-me viva até não poder mais, até que nossa respiração voltasse ao normal... Você não estava lá. Como poderia não estar? Sabes bem que preciso de ti como um drogado necessita de sua droga. Sabes bem.
Eu te amo pra cacete e nada vai mudar isso, nada. Pare de graça e deite-se na cama novamente, bem assim, bem ao meu lado e me digas o que pensas, mesmo que não queira, mesmo que seja contra o teu gosto. Não importa o que seja, vou continuar te amando, mesmo que seja a maior das bobagens, pode me contar, pode se abrir... Assim, abrace-me forte e respire no meu pescoço, e faça com que eu me sinta novamente viva, amada e quente.É tudo o que eu quero.
Você comigo, vivendo, descobrindo e redescobrindo, mesmo que a cada dia morramos um pouco, mesmo que tenhamos dias cinzas e cheios de porcaria nenhuma. Quero você e só você comigo, errando e aprendendo.
Deite-se e venha me amar. Como só você pode me amar."Pardon the way that I stare
There's nothing else to compare
The sight of you leaves me weak
There are no words left to speak
So darling feel like I feel
And I don't have to know if it's realYou're just too good to be true
I can't take my eyes off youBada...
I love you baby
And if it's quite all right
I need you baby to warm a lonely night
I love you baby
Trust in me when I say
Oh pretty baby
Don't bring me down, I pray
Oh pretty baby
Now that I've found you staySo let me love you baby
Let me love you
You're just too good to be true
I can't take my eyes off you
You feel like heaven to touch
I wanna hold you so much
At last love has arrivedAnd I thank God I'm alive
You're just too good to be true
I can't take my eyes off you"
(Can't Take My Eyes Off You - Andy Williams)
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Epígrafe
A verdade é que são todos estranhos. E o que eu sei sobre a verdade? É verdade que a verdade é duvidosa, assim como esta. E aí? O que eu sabia sobre o ocorrido? Os fatos eram os mesmos, e as visões e as concepções é que eram distintas e disformes.
Mas não interessa. Nada disso importa de verdade... É sem importância e tosco e ninguém vai contar nada. E as coisas vão caminhar assim... Vão nadar assim e dessa mesma forma irão afundar.
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!" (Florbela Espanca)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
I don't know why
I didn't like
I don't know why
Deveria ser música
ou uma porção de nada, irrelevante sabe,
Como todo o resto
Ou deveria ser simplesmente o que é
ou então transbordar sendo o que não é
E do que se trata?
Tanto faz
E aquela cegueira, como é?
Ela é o que é
ou é o que não é,
por encher-se do vazio de não ser o que deveria?
Ela não se vai?
Porém, há minutos ou dias,
parecia que já se tinha ido
Por que decidiu de última hora
que não se vai?
A conversa cessa,
A tristeza consome sem dó
visto, apenas com o pouco que lhe fora entregue
E o resto é o resto,
o que importa vai metamorfoseando-se
I don't know why
Deveria ser música
ou uma porção de nada, irrelevante sabe,
Como todo o resto
Ou deveria ser simplesmente o que é
ou então transbordar sendo o que não é
E do que se trata?
Tanto faz
E aquela cegueira, como é?
Ela é o que é
ou é o que não é,
por encher-se do vazio de não ser o que deveria?
Ela não se vai?
Porém, há minutos ou dias,
parecia que já se tinha ido
Por que decidiu de última hora
que não se vai?
A conversa cessa,
A tristeza consome sem dó
visto, apenas com o pouco que lhe fora entregue
E o resto é o resto,
o que importa vai metamorfoseando-se
lentamente, com nenhuma pressa.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Our own blindness
I'd like to see you around
and kiss your face
I'd like to feel your heart beating for me
and kill my ignorance
We've found ourselves
and we usually say futures things
but and just but, if these things don't happen
How am I to live without you?
We've found ourselves
and we usually say others things
Just to blind ourselves
Now, we need to confess,
this blindness
is not a good idea.
However we love
this imaginary blindness.
and kiss your face
I'd like to feel your heart beating for me
and kill my ignorance
We've found ourselves
and we usually say futures things
but and just but, if these things don't happen
How am I to live without you?
We've found ourselves
and we usually say others things
Just to blind ourselves
Now, we need to confess,
this blindness
is not a good idea.
However we love
this imaginary blindness.
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." (José Saramago)
quarta-feira, 23 de junho de 2010
I wanna do
Às altas horas tenho sede, mas não só... Tenho sede, desejo insano e imprudente.
Não quero nada pela metade, jamais quis... Quero a metade do copo cheia. Transbordando em seu meio.
Te quero mais que a mim, mais do que poderia-me permitir querer. Te quero com pressa, sem fôlego, te quero pra agora e quero muito. Quero você, apenas você, quero urgentemente.
PORRA, não consigo expressar com palavras a urgência imediata desse desejo sem rosto, sem nome... É um desejo forte e latente, à flor da pele. Desejo mal e inevitável.
Eu sinto.
"I wanna do bad things with you."
(Jace Everett)
terça-feira, 15 de junho de 2010
Monte de Merda
Divisões, para que? Dividem-se, dividem-se e dividem-se novamente, e aí subdividem-se, e de novo e de novo... Para que o ser humano cria tantas etapas, tantos critérios, características, grupos, para que denotam tantas disparidades? Por que o ser humano, tão burro e cheio de si, quer a qualquer custo ser o melhor?
O homem se preocupa demais com coisas supérfluas e materiais, e não dá a menor atenção ao que há de mais importante. De que adianta ter uma excelente escolaridade, um ótimo emprego, um salário estupendo, ser lindo, charmoso e gostoso, enfim, ter uma vida literalmente foda e ser uma pessoa vazia, estúpida, hipócrita? Alguém, pior que pobre, miserável de alma? Completamente desprovido da capacidade de sentir e viver?
Essas pessoas sabem que são assim? Elas têm ciência de sua incapacidade? De que são vazias e frouxas? Se sabem, como conseguem não ter nojo de si e viver todos os dias como se estivesse tudo bem, tudo maravilhosamente excelente? Como conseguem continuar vivendo suas vidinhas fúteis de maneira ainda leviana?
Como ser e fazer por fazer, perceber, e não mudar? Como deixar-se afundar na mesma merda dia após dia, noite após noite, ano após ano? O homem é um ser abominável.
"Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio." (Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio)
"There's a haze above my TV
That changes everything I see
And maybe if I continue watching
I'll lose the traits that worry me
Can we fast-forward to go down on me?
Stop there and let me correct it
I wanna live a life from a new perspective
You come along because I love your face
And I'll admire your expensive taste
And who cares divine intervention
I wanna be praised from a new perspective
But leaving now would be a good idea
So catch me up on getting out of here"
(Panic At The Disco - New Perspective)
domingo, 13 de junho de 2010
It's your love
Como poderia eu dispensar esse sentimento? Mesmo se eu quisesse, seria impossível fazê-lo.
Como seria viver sem sentí-lo, ignorando-o? Como seria? Nem me lembro mais de como era antes dele. Houve antes? Só lembro dele, da explosão infinita de alegria e ar fresco que me dá. Todo esse Amor... É tudo o que tenho, é tudo o que quero e nada menos.
E como a vida parece tão mais bela, tão mais vívida e suportável. Incrível como algo pode tornar-se tão importante e maravilhoso a ponto de fazer isso... Provar que tudo é muito mais que o desprezível factual. É meio rídiculo e tosco, e sem sentido, mas não significa que não aconteça. É real.
É tão real quanto este texto, é tão real quanto este frio fora de hora, quanto este casaco rosa, este esmalte laranja e estes livros e estas fotos... É tão real quanto tudo isto.
É todo esse Amor grandioso e eloquente.Ele é tão grande e magistral que mal cabe dentro de mim, ele praticamente exala, quase sem querer escapa pelos poros e me impregna mais e mais, e aos outros também. Como é lindo! Não imaginas tu como é tamanha fartura de Amor.
E ele é todo seu. Apenas seu.
"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você." (Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 1 de junho de 2010
Can you?
I want to say many things but just to want doesn't mean that I can. I know that tomorrow is going to be a different day and I'll be alone, again. Whatever.
What am I feeling now? Why do I feel this? Why?
I'm confused... I don't know.
I'm going to somewhere, wherever, whenever.
If I feel better, if I feel myself... It will be great! So, I'll see everything and I'll feel exactly what it is. Well... I hope this a lot and nobody knows intensity.
I want to know what you think about this, about us. I want to know what you want from me.
What am I feeling now? Why do I feel this? Why?
I'm confused... I don't know.
I'm going to somewhere, wherever, whenever.
If I feel better, if I feel myself... It will be great! So, I'll see everything and I'll feel exactly what it is. Well... I hope this a lot and nobody knows intensity.
I want to know what you think about this, about us. I want to know what you want from me.
Sweetie, can you say all these things to me? Besides, can you show me?
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